Fernando Schlithler

BOLSONARO, A DIREITA E AS ELEIÇÕES

PARTE I

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As eleições que se aproximam, como sempre acontece, põem para os católicos preocupados em agir sempre de acordo com preceitos da Fé e da Caridade, bem como da prudência, o problema prático de escolher, dentre o possível, a melhor opção para o bem comum. No mais das vezes a escolha acaba recaindo sobre o mal menor, o que é legítimo, desde que não se trate de um candidato ligado a partidos diretamente contrários à doutrina da Igreja, como os partidos socialistas de todos os tipos. Sobre o assunto, recomendamos a nossos leitores o excelente sermão do Pe. Daniel Pinheiro, do Instituto do Bom Pastor (Clique aqui para ler o artigo).
Queremos, porém, oferecer hoje a nossos leitores uma outra série de considerações, mostrando os perigos que podem esconder-se sob as opções oferecidas aos católicos, pois muitas vezes na história o mal menor acabou por transformar-se numa grande tragédia.
Nota do Editor
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1. Introdução

Com o evidente fracasso da esquerda e suas consequências catastróficas na sociedade, surgem obviamente aqueles que – sobretudo em época de eleições –, se apresentam como opositores de sua agenda e como a única solução para a desordem hegemônica. Assim se apresenta agora, por assim dizer, a direita, que no Brasil parece encontrar no candidato Jair Bolsonaro seu principal representante.

No entanto, quando se observa mais atentamente esses que se apresentam como opositores e solucionadores da desordem, compreende-se que esses não passam de uma versão mitigada da mesma corrente a qual dizem se opor. Fazem parte de um jogo. Muitos – não raro demonstrando verdadeiro desespero e histeria – alegam que é preciso votar nessas pessoas sob pretexto de ser o mal menor e de haver obrigação moral de o fazer, sob pena de ser favorecedor do comunismo, nova ordem mundial ou do raio que o parta.

O candidato que tem sido apresentado nessas condições nessas eleições é, evidentemente, Jair Bolsonaro.

Muitos católicos – escandalizados e cansados (e com motivo) da corrupção em todos os sentidos (religiosa, moral, cultural e política) propagada pela esquerda na sociedade – infelizmente são levados a votar ingenuamente em candidatos como Bolsonaro ou outros que se apresentam como verdadeiros opositores dessa corrupção.

No entanto, como vamos mostrar nesse artigo, Bolsonaro não parece se opor ao “jogo” de corrupção da sociedade, mas é uma das peças mesmas desse jogo. Aliás, como toda direita.

Ainda que reconheçam defeitos nesses tipos de candidatos, muitos dizem que eles seriam o mal menor, e por essa razão seria lícito fazer militância a seu favor.

Além disso, creem ingenuamente que o voto realmente conta.

Ora, não foi consenso da direita que as urnas eletrônicas foram manipuladas à favor de Lula e Dilma Roussef nas últimas eleições? Se Bolsonaro vencer nas próximas eleições, por que não será também devido a uma manipulação das urnas? Curioso.

A questão toda é ver o jogo que está por trás, jogo que a direita, por assim dizer, faz há séculos.

Um vídeo com o trecho de uma palestra do Prof. Orlando Fedeli, aliás, é bem elucidativo nesse sentido: https://www.youtube.com/watch?v=8SB4ZiWsU7o

De qualquer modo, os católicos defendem o Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo como ensina o magistério da Igreja. No entanto, Cristo não reinará na ordem social e política sem antes reinar nos corações das pessoas que constituem essa sociedade. Não é um regime político melhor ou menos pior que irá melhorar a sociedade. Eis o erro, por exemplo, de grande parte dos tradicionalistas franceses que acreditam que, se houver uma monarquia restaurada na França, esta se tornará novamente católica (como se fosse o regime político que causasse as conversões). Ao contrário, é a Igreja Católica reinando nos corações que é causa da monarquia (ou de alguma outra forma de governo legítima) e de uma ordem social equilibrada. Portanto, nas atuais condições, a atuação política é ineficaz, uma vez que o problema da sociedade é fundamentalmente religioso e moral. Há somente sintomas políticos. E tratar os sintomas sem tratar a causa é como tratar um paciente com câncer, cuja doença o deixou vulnerável a uma gripe, tratando apenas a gripe: um tratamento meramente sintomático mascara os sintomas e a longo prazo contribui para o agravamento da causa do problema.

Além disso, devemos ressaltar que há muitas “conversões” ao catolicismo aparecendo hoje em dia que nos parecem extremamente superficiais. Não sabemos se essas pessoas se convertem ao “anticomunismo” da doutrina católica, ou à religião católica inteira. Não sabemos se essas pessoas se convertem somente à posição “anti-teologia da libertação” da religião católica, ou ao catolicismo inteiro.

Aliás, muitos grupos de direita “católica” têm sido atualmente fundados nessa linha. Num deles de que tomamos conhecimento recentemente, seus membros afirmam explicitamente que o catolicismo se restaurará no Brasil em virtude de suas ações. Trata-se evidentemente de uma crença delirante e soberba, uma vez que atribuem a si mesmos uma força muito maior do que realmente possuem. Mais modéstia e humildade fariam bem a esses grupos, além de mais estudo e oração. Num desses grupos, aliás, sabe-se que, quando aparecem novas moças, logo diversos rapazes passam a disputar a atenção delas. Sem comentários: absolutamente patético. Esse é o tipo de homem que irá “restaurar” o catolicismo no Brasil? Evidentemente, pessoas que têm esse tipo de comportamento (fraqueza típica de gente de baixa psicologia e desqualificada) e se atribuem uma capacidade de restaurar o catolicismo no Brasil (coisa que grupo algum tem a capacidade, pois somos nós que precisamos da Igreja Católica, e não ela de nós) só podem acarretar em um vexame. Um desses grupos, aliás, costuma ter palestras com uma astróloga. Naturalmente divulgam também o modernista Olavo de Carvalho, e defendem o voto em Bolsonaro. De catolicismo, portanto, só possuem uma espuma rala de aparência (se é que chegam tão longe).

2. O jogo entre esquerda e direita

Há uma conhecida técnica de manipulação psicológica usada para convencer alguém a tomar uma decisão que não queira, que seja prejudicial à pessoa ou contra suas convicções. Essa técnica é descrita por Pascal Bernardin em Maquiavel Pedagogo (Campinas: Vide Editorial, 2013, p. 20-31): trata-se de primeiro fazer, à pessoa que se quer convencer, um pedido exorbitante ou muito exagerado, explicitamente desvantajoso para ela, de modo que sua primeira reação ao pedido será de repulsa e recusa (somente 16% das pessoas aceitam de primeira, 84% não aceitam). Logo em seguida, após certa insistência com os 84% que se recusaram, faz-se um segundo pedido, agora mais atenuado, implicando ainda em desvantagem, mas uma desvantagem menor do que a do primeiro pedido, e o resultado: 76% das pessoas (que não haviam aceitado o primeiro pedido) aceitam o segundo pedido. O que ocorre é que essas pessoas, após terem negado o primeiro pedido inconveniente e insistente, acabam ficando com a resistência psicológica abalada e vulnerável à aceitação de um segundo pedido, que é apenas menos inconveniente em comparação ao primeiro. Obviamente, se o segundo pedido fosse feito primeiro, elas provavelmente não iriam aceitá-lo.

Tomemos um exemplo: algum funcionário de um condomínio vai à casa de alguém e diz que é preciso colocar uma placa de 3×2 metros na frente de sua casa, afirmando ser essa uma determinação do condomínio e respaldada legalmente. A primeira reação da pessoa é não aceitar uma vez que é um absurdo e um abuso. Logo em seguida, o funcionário oferece colocar uma placa menor, de 1×1 metro, e eis o que se segue: a maioria das pessoas acaba cedendo ao segundo pedido. Se o funcionário tivesse oferecido primeiramente a placa de 1×1 metro provavelmente não teria obtido o êxito que teve ao oferecê-la somente após ter oferecido uma maior.

Tomemos um segundo exemplo: uma pessoa quer pedir dinheiro a outra. Primeiro, ela pede de modo insistente e inconveniente R$10.000, e a pessoa a quem se fez o pedido se recusa, alegando não ter esse dinheiro ou não ter condições de emprestá-lo. Logo em seguida, após grande insistência e momentos constrangedores (que causam uma situação desconfortável e consequente desgaste psicológico naquele que se recusa a dar o dinheiro, devido ao conflito interno gerado entre perder um bem necessário à manutenção da sua vida – e não raro obtido com grande esforço e sacrifício – e frustrar uma amizade), pede-se R$1.000, de modo que a pessoa a quem se faz o pedido acaba cedendo, já desgastada psicologicamente por ter que ter negado o primeiro pedido. Além disso, o segundo pedido se apresenta aparentemente como razoável em comparação ao primeiro. Também, a realização do segundo pedido fará com que aquele quem faz o pedido inoportuno pare de atormentá-lo, apaziguando o conflito interno e afastando o desconforto. No entanto, há um ardil nesse procedimento: a primeira intenção de quem fez o pedido era conseguir apenas R$1.000. Se fosse pedido R$1 logo na primeira vez, a probabilidade de a pessoa recusar esse pedido como inconveniente seria bem maior. Um pedido moderadamente inconveniente tem muito mais chance, portanto, de ser aceito após a recusa de um pedido imoderadamente inconveniente.

Ou seja: um mal é facilmente mais aceito como segunda opção a um mal maior. Quando se quer convencer alguém a aceitar um mal, a melhor estratégia não é começar oferecendo diretamente esse mal, mas oferecê-lo após pressioná-lo a aceitar um mal aparentemente maior. Oferece-se o mal menor como solução de um mal maior.

As pessoas, pressionadas psicologicamente e inseguras para dizerem simplesmente não mais uma vez, acabam cedendo e caindo nesse ardil. A pessoa, ao receber a proposta atenuada logo após a mais radical, está com a resistência psicológica abalada por já ter que ter dito não uma vez, e, além disso, a segunda proposta pode parecer razoável, em comparação com a primeira.

O mesmo efeito psicológico ocorre não só em casos como os acima relatados, mas frequentemente em pedidos que implicam concessões morais ou de princípios, aos quais as pessoas podem ser submetidas. Isso gera, evidentemente, conflito interno, e uma tendência a apaziguá-lo num posicionamento anestésico, que busca “agradar ambas as partes”, conciliando a mentira com a verdade, não raro movidas pelo respeito humano, de modo a afastar o desconforto, fazendo concessões tidas por parciais.

Assim ocorre também com as correntes políticas hegemônicas na sociedade: após um grande período de corrupção da sociedade (como, por exemplo, aquele que foi promovido pela esquerda), as pessoas ficam cansadas da situação, indignadas, desgastadas psicologicamente, ansiosas e aflitas por uma solução. Surgem, então, aqueles (a direita) que se apresentam como opositores dessa corrupção e oferecem uma segunda opção para elas. As pessoas vulneráveis e ávidas por uma solução aceitam, então, o discurso desses “opositores”, e acabam aderindo a essa corrente política, sem se darem conta que as duas correntes fazem parte do mesmo jogo, e que, ao escolherem a segunda, estão colaborando para o jogo da primeira.

Aliás, costuma-se atribuir a seguinte afirmação a Lênin (líder da revolução comunista russa): “O fruto natural do comunismo é o anticomunismo. Antes que surja o anticomunismo, organizemos nós mesmos o anticomunismo”. Infelizmente, não temos a fonte dessa afirmação. Entretanto, “se non è vero, è bene trovato”. Ou seja, sabendo que o comunismo iria inevitavelmente produzir uma reação anticomunista, a medida mais astuta seria antecipar-se de modo a que eles mesmos – os revolucionários – organizassem essa reação (a “contrarrevolução”) ou, ao menos, delimitando de antemão os termos e condições em que ela deveria se dar, por meio de sua influência em setores hostis ao comunismo. A oposição entre esquerda e direita parece ser, de fato, uma briga de família, uma falsa oposição entre gêmeas dialéticas[1]. O general Golbery do Couto e Silva, ex-ministro chefe da Casa Civil do governo Ernesto Geisel na ditadura militar, costumava, aliás, comparar direita e esquerda com duas pontas de uma mesma ferradura:

“…em vez de se imaginar uma reta, com a esquerda numa ponta e a direita noutra, deve-se pensar numa ferradura, com a esquerda e a direita mais próximas entre si do que do centro. Isso explica porque, às vezes, elas agem em alianças táticas” (Diário do Congresso Nacional, de 03/04/1981, página 1581) [2].

Essa ferradura, pelo jeito, parece ter sido aquela que os governantes militares da ditadura usavam para darem seu coice na sociedade brasileira[3], enquanto combatiam o comunismo somente através do uso estúpido da força (o que só contribuiu para seu fortalecimento, ou seja, uma falsa solução ou solução agravante)[4], ao mesmo tempo em que promulgavam leis comunistas e anticatólicas, como a da reforma agrária e a do divórcio, além de tornarem a economia do Brasil mais estatizada do que a Tchecoslováquia e Iugoslávia quando estavam sob o poder da URSS. Não deixa de ser compreensível que alguém que use ferraduras realmente prefira “o cheiro dos cavalos ao cheiro do povo”[5]. Afinal, cada um tende a preferir aquilo que mais lhe é semelhante.

Assim, os inimigos da Igreja conseguem ser eficazes no seu jogo, persuadindo os próprios católicos a colaborarem com ele ao escolher o que se apresenta como mal menor: Trump, nos EUA; Putin na Rússia e na direita européia, em geral; Le Pen ou o maurrasianismo, na França e entre os tradicionalistas europeus; a Lega Nord, na Itália; e, no Brasil, ao que tudo indica, a bola da vez é Jair Bolsonaro.

 3. Bolsonaro parece resolver caspa com decapitação

 Vejamos, então, algumas informações sobre Bolsonaro que costumam não ser tão divulgadas por aqueles que o defendem. Algumas verdades que serão bem desagradáveis para muitos.

Em primeiro lugar, Bolsonaro defende algo condenado pela Igreja Católica: o controle de natalidade, e ainda por cima mediante cirurgias de esterilização em jovens. Acredita, assim, controlar a pobreza do país. Claro, esterilizar pobres fará com que outros pobres não nasçam.

Eis a estupidez da direita. A direita vive oferecendo soluções para os problemas semelhantes a querer solucionar  o problema da caspa com decapitação. Se há muitos pobres, a solução é não deixar mais pobres nascerem!

Vídeo: “Bolsonaro defende rígido controle de natalidade”:

https://www.youtube.com/watch?v=0dxK1ua_VhI

Notem que, ao final do discurso do vídeo acima, a concepção que Bolsonaro apresenta de “felicidade” não corresponde com a noção de “bem comum” ensinada pela doutrina católica. Ele diz que “…é gente demais. Nós temos que colocar um ponto final nisso, se quisermos produzir felicidade nesse país”. Ele acredita que mediante o controle populacional será possível uma sociedade mais “feliz”… nessa terra. Os comunistas não desejam algo diverso!

Além de ser imoral, até no nível puramente utilitarista, o controle de natalidade é prejudicial, dada a atual crise da Previdência Social.

No vídeo abaixo, na câmara dos deputados, Bolsonaro diz que gostaria que o governo anunciasse “um milhão de laqueaduras e vasectomias”, afirmando-se a favor do controle populacional:

Vídeo: Bolsonaro – controle de natalidade

https://www.youtube.com/watch?v=9f7xfZ7HvwY

Aliás, o filho de Jair, Carlos Bolsonaro, chegou a defender que o Bolsa Família deveria ser concedido somente às pessoas que fossem esterilizadas cirurgicamente:

O controle populacional através do “planejamento familiar” (termo anestésico falseador de consciências, que na verdade quer dizer controle de natalidade e aborto) faz parte da agenda – obviamente anticristã – da ONU:

https://nacoesunidas.org/page/2/?post_type=post&s=%22Planejamento+familiar%22

Bolsonaro, então, está alinhado com essa agenda e trabalhando a favor dela. Evidentemente, não está trabalhando contra essa agenda profundamente anticristã.

De que adianta Bolsonaro ter afirmado recentemente que se for presidente ele irá tirar o Brasil da ONU? Ele continuará obecendo, de qualquer forma, a agenda da ONU. De que adianta sair da ONU e continuar obedecendo-a?

Além disso, Bolsonaro não é verdadeiramente contra o aborto. Ele se apresenta como sendo contra o aborto, mas admite que há casos em que o aborto pode ser aceito: quando há risco de morte para a mãe; em concepção indesejada resultante de estupro; e em casos de feto com anencefalia. Obviamente, não é o que a doutrina católica defende[6]:

https://www.youtube.com/watch?v=vy5dBXxOBGs&t=1s

No vídeo abaixo, Jair Bolsonaro novamente se contradiz. Ao tentar se retratar, acaba por reafirmar aquilo mesmo de que tenta se retratar:

https://www.youtube.com/watch?v=bPcGySCec8w

E no vídeo seguinte, Bolsonaro junta a questão do aborto com a do controle de natalidade, afirmando que quer permitir a cirurgia de esterilização de jovens, pois assim esses não terão como abortar!

VÍDEO: Bolsonaro fala de aborto

https://www.youtube.com/watch?v=zS5-AosoHo8

Se há muitos pobres na sociedade, a solução para Bolsonaro é não deixar mais pobres nascerem.

Se há muitos abortos ou pessoas desejando abortar, a solução para Bolsonaro é estimular e financiar uma esterilização em massa, para que essas pessoas, não concebendo filhos, também não abortem.

Seguindo esse “raciocínio”, que está mais para um relincho, provavelmente Bolsonaro também deva recomendar que se beba ácido sulfúrico para acabar com a tosse. Afinal, quem bebe ácido sulfúrico não tosse nunca mais. Quem é decapitado também nunca mais terá problema de caspa. “Tá Ok?”

Estaria a ONU, ou uma elite hegemônica que detém o verdadeiro poder (mundano, temporal – que foi obviamente usurpado de Deus) na sociedade e a dirige, valendo-se da estratégia “o fruto da agenda da ONU é uma reação contrária a ela. Antes que surja essa reação, organizemo-la nós mesmos”. Admitamos, ao menos, que “se non è vero, è ben trovato”.

Uma pessoa que precisa apenas de R$1.000 vai à casa de um amigo e o importuna constrangedoramente por horas pedindo R$10.000. Quando vê que o amigo está cansado, ele, então, pede os R$1.000 que precisava desde o início, e acaba conseguindo graças ao desgaste e vulnerabilidade psicológica produzidos no amigo por meio desse ardil.

Assim, a esquerda no poder corrompe a sociedade e oferece a agenda da ONU completa ou algo até pior. Então, nas próximas eleições, com as pessoas já cansadas e desgastadas, surge uma direita como oposição, pedindo somente os “R$1.000” de corrupção da sociedade, somente “parte” da agenda da ONU. Aquela parte que a direita aceita ou não vê tanto mal assim.

É assim que essa agenda vai se impondo na sociedade: aos poucos e com o auxílio daqueles que se opõem a ela. Assim jogam os inimigos da Igreja: fazem os próprios católicos ingênuos e despreparados trabalharem para sua agenda, sem que se dêem conta.

As pessoas, desgastadas e vulneráveis psicologicamente com os males produzidos pela esquerda, ficam vulneráveis a aceitar um mal menor apresentado como oposição ao mal maior.

Quem compreende esse jogo, compreende que o mal aí é um só, embora ele tenha língua bífida. Direita e esquerda são apenas duas pontas do mesma língua, do mesmo mal

Além disso, ninguém garante que alguém que seja eleito nesses termos pare por aí. É preciso ser muito ingênuo para confiar em qualquer político que seja. Facilmente ele pode fazer avançar projetos mais radicais dentro dessa agenda. Ao tomar o poder, pode conseguir fazer tudo aquilo que a esquerda queria mas não conseguiu, e, pior, com o apoio dos antiesquerdistas, como vimos no vídeo do Prof. Orlando Fedeli “A direita política”.  

E assim, a ONU – ou quem quer que seja que deseje corromper a sociedade – acaba tendo êxito.

Além disso, há também a relação de Bolsonaro com a maçonaria, que deixaremos para a segunda parte desse artigo.

Em suma: não há solução política, pois esta está dominada pela elite anticatólica, que determina de antemão quem poderá ou não exercer os cargos políticos. Infelizmente, como diz um ditado, se o voto valesse alguma coisa, seria proibido.

O mundo está em uma crise religiosa e moral. Para um problema de ordem religiosa e moral, a solução só pode ser de ordem religiosa e moral. Somente um papa pode começar a resolver isso. Enquanto isso, o máximo que podemos fazer é o bem ao próximo, rezando, fazendo apostolado, estudando, ensinando e defendendo a doutrina católica, e, sobretudo, colaborando para que o culto que é agradável a Deus, e foi por Ele mesmo estabelecido, seja propagado e perpetuado na sociedade: a Santa Missa Tridentina.

Não é a ordem política que produz conversões, mas são as conversões que podem produzir, a longo prazo, uma mudança política. E, obviamente, a política não é um fim em si mesma, mas como todas as criaturas, sua finalidade é Deus, e não o estabelecimento de um paraíso terrestre.

Que Nossa Senhora nos proteja, esmagando a cabeça da serpente, e, assim, nos livre da lingua bífida inteira, e não somente de uma de suas pontas!

In corde Iesu, semper.

Fernando Schlithler

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[1] A esse respeito, conferir também o artigo “The occult roots of the Russian Revolution”, que procura mostrar como o materialismo comunista, na verdade, era somente uma versão vulgarizada de mística gnóstica, uma simplificação grosseira da Gnose, tendo por fim disseminar-se mais facilmente na sociedade. Disponível em https://www.scribd.com/doc/180147375/57714162-Occult-Roots-of-the-Russian-Revolution-pdf

[2] http://revistasera.ne10.uol.com.br/a-ferradura-do-general-luiz-otavio-cavalcanti/

[3] Cf. Decreto nº 53.700, de 13 de Março de 1964 (Governo João Goulart): http://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1960-1969/decreto-53700-13-marco-1964-393661-publicacaooriginal-1-pe.html LEI Nº 4.504, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964. (Governo Humberto Castelo Branco): http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l4504.htm LEI Nº 6.515, DE 26 DE DEZEMBRO DE 1977. (Governo Ernesto Geisel): http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6515.htm

[4] https://www.youtube.com/watch?v=8SB4ZiWsU7o

[5] http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u10538.shtml

[6] Em risco de morte, se a gestante precisar passar por um tratamento inevitável para salvar sua vida, que acarrete, indiretamente, a perda do bebê, isso não é considerado aborto. Bem diferente é abortar em caso de um problema de saúde da mãe, pois isso seria um assassinato do bebê e não a morte indesejada do bebê decorrente indiretamente de um tratamento necessário para salvar a vida da mãe.