Irmã Anna Maria Fedeli

PARA A CATEDRAL EM CHAMAS

 

Ainda em comentário ao trágico e altamente simbólico incêndio da Catedral de Notre Dame em Paris, certamente a mais conhecida de todas as igrejas dedicadas a Nossa Senhora na Cristandade, oferecemos hoje a nossos leitores um pequeno poema, escrito na década de 1980.

A referência ao fato de que as torres estão inacabadas, na 5ª. e 6ª. estrofes, refere-se ao projeto, quando da restauração da catedral, no século XIX, de se fazerem tetos pontiagudos para as duas torres da igreja, como os que tem as torres da Catedral de Chartres, por exemplo.

As quatro últimas estrofes foram escritas após o incêndio.

 

Notre Dame de Paris

  

Que te dirait-je là de cette cathédrale ?

Pour la comprendre bien il faut garder silence,

Garder le doux silence du saint et su sacral.

 

Pour la comprendre bien, il faut s`agenouiller

Et, à genoux, chercher la plus profonde couche

Dessous la pierre claire que contemplent les yeux.

 

Mais si, c’est du vermeil caché sous la blancheur.

Dedans, la pierre est rouge du sang de nos aïeux.

Elle est fille du sang de ceux qui ont, sans peur,

 

Donné la vie, le corps et l’âme, pour la bâtir,

Car il n`y a rien de beaux s’il n’y a pas de douleur,

Car il n’y a rien de grand sans quelqu’un pour souffrir.

 

Et celle église sainte est faite de mil martyres,

À l’arène, à la guerre, au cloître consommés,

Plus importants, plus durs que la pierre à bâtir.

 

Mais lève-toi, maintenant, et regarde les tours.

Les belles tours, hélas, elles ne sont pas finies !

L’honneur de les conclure ? Maintenant c’est notre tour:

 

C`est de la vie qu`il va pour ériger ici…

C`est du travail à faire, de bataille à gagner,

Des larmes, encore, du sang, et elles seront bâties.

 

Tu vois la flèche en flammes et le toit qui s`effondre ?

À quoi bon tout effort ? La lutte est bien finie…

L`Église est toute en flammes et partout de décombres.

 

Mais pas de tout, l`ami ! C`est là qu`il faut confier !

C’est là qu`il faut souffrir, mais se mettre au combat,

Car quand le Christ est mort, il va ressusciter.

 

Notre Dame, symbole, est debout dans les flammes.

Elle ne périra pas, quel que soit l’incendie.

Et sera, au calvaire, debout, tel Notre Dame !

 

Debout tel qu`Elle est là, au milieu des débris,

Les yeux sur Son Enfant et sur toute son Église,

Debout sur sa colonne, quand le feu est fini !

***

Que vos direi aqui, da bela catedral?

Para bem compreendê-la é preciso silêncio

Guardar o doce silêncio do santo e do sagrado.

 

Para compreendê-la bem é preciso ajoelhar-se

E, de joelhos, buscar a camada mais funda

Sob a pedra clara que os olhos observam.

 

Mas sim, há vermelho escondido sob a brancura.

Dentro, a pedra é rubra do sangue dos antigos.

Ela é filha do sangue dos deram, sem medo,

 

A vida, corpo e alma, para construí-la,

Pois nada há de belo se não há grande dor,
Pois não há nada grande sem alguém p`ra sofrer.

 

E essa igreja santa é feita de mil martírios,

Na arena, na guerra, no claustro consumados,

Mais importantes, mais duros que a pedra de construir

 

Mas levante-se, agora, e olhe para as torres.

As belas torres, pena, não estão terminadas.

A honra de concluí-las? Agora é nossa vez:

 

É vida o necessário para erigir aqui…

Trabalho a executar, batalhas a vencer,

Lágrimas, ainda, e sangue, e serão construídas

 

Tu vês a flecha em chamas, o teto que desmorona?

De que serve o esforço? A luta terminou…

A Igreja está em chamas e em tudo há escombros.

 

Não é assim, amigo. Agora é preciso confiar!
É agora que é preciso sofrer, mas sair combater.

Pois, quando Cristo morre, irá ressuscitar.

 

Nossa Senhora, símbolo, está de pé nas chamas.

E não perecerá, qualquer que seja o fogo,

E estará, no Calvário, de pé, tal Nossa Senhora.

 

De pé como ela está, no meio dos escombros,

Os olhos em seu filho e na Igreja inteira,

Em pé em sua coluna, quando o fogo terminou!

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