CARTA

Data: 19-Dez-2018
De: Rene
Cidade: –
Assunto: Cristianismo é a unica religião “verdadeira”?

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Oi André,

Vi muitos videos do seu canal e foi muito dito nos videos que o cristianismo é a religião verdadeira, quero saber por que isso é verdade? e as outras religiões? quais as provas que você tem para convencer as pessoas de hoje que o cristianismo é o único caminho para se salvar? e como convencer aqueles que não creem em bíblia?

paz e bem.

Rene B.

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Resposta

Muito prezado Rene, salve Maria!

Obrigado pelo interesse que demonstra nas aulas que publicamos e também pela pergunta que nos envia.

O Cristianismo é a religião verdadeira porque foi fundado por Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

Você me pergunta quais provas tenho para provar para as pessoas de hoje (o grifo é meu). Note que afirmo usando o verbo no presente (o Cristianismo é a religião verdadeira), pois a verdade nunca muda.

E as provas para o homem de hoje são as mesmas provas que há dois mil anos a Igreja Católica ensina. Repito, as provas são as mesmas. Salvo o modo como elas muitas vezes precisam ser expostas, isto é, bem devagar…, pois é preciso ir calmo com os argumentos visto que os homens de hoje não estão habituados a pensar como os antigos. Coisas da modernidade…

Todas as demais religiões, desde a Sopa, Sabão e Salvação até o ateísmo (que também é religião, e das mais irracionais) passando pelo budismo, islamismo, hinduísmo, judaísmo, protestantismo de diversas cores e sabores, todas, foram fundadas por homens. Ora, sendo a religião o caminho que uni o homem a Deus, a religião para ser verdadeira não pode ser fundada por um homem.

E, para que fique bem claro, quando falo em Cristianismo refiro-me ao catolicismo, pois ambos são um coisa só. O protestantismo, que usurpa o nome de cristão, nada mais é que um punhado de seitas, inventadas por homens revoltados contra Deus ou simplesmente a procura de uma doutrina que justifique a paixão por alguma Catarina.

Cristo para provar que é Deus fez muitos milagres. O maior deles é a própria ressurreição, três dias após sua morte da cruz.

“Nisto eu não posso acreditar, pois não vi!” alegará algum incrédulo de nossa época miserável. Para o materialismo atual só aquilo que é visto com os próprios olhos é verdadeiro. Acredita-se nos maiores absurdos – desde filmes até em discos voadores! – mas não se acredita no fato mais espetacular da história e confirmado por diversas pessoas além de descrita por quatro evangelistas.

Cristo ressuscitou, provando com isso sua divindade.

E Cristo, Deus e homem, fundou uma igreja, a Igreja Católica. E foi sobre a pedra (Pedro, o Papa) que Ele a fundou (conf. Mt 16,18).

Há um só Deus, portanto só pode haver uma verdade e uma só religião, a Igreja Católica Apostólica Romana. Todas as demais são fruto do orgulho e da maldade humana.

Se você quer se salvar – e é isso que desejo-lhe do fundo da alma – suba para a arca da salvação, a Igreja Católica, fora da qual não há salvação como não houve salvação para todos os que estavam foram da arca de Noé, símbolo da Igreja.

Espero ter esclarecido sua dúvida.

Escreva-nos sempre que desejar.

Salve Maria!

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RÉPLICA

Data: 24-Jan-2019
De: Rene
Cidade: –
Assunto: Réplica: cristianismo é a única religião “verdadeira”?

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Tá bom, André, seguindo então sua lógica, de que a religião verdadeira precisa ser vinda de Deus e não do homem, então como fica o Judaísmo? 

Os judeus de hoje, então eles estão errados?

O sr não disse que Deus não muda? então por que deixaram o judaismo de lado e criaram uma nova religião conhecida como cristianismo? 

está na biblia que o judaismo é a religião verdadeira, e vi até os srs dizendo que o judaismo era a religiao verdadeira, então por que a mudandça?

Caso o sr tiver tempo, poderia ver este video, e me dizer se o que eles dizem é verdade?

https://www.youtube.com/watch?v=LE7tg9SC5dg

* Não me entenda mal, mais só estou a procura da verdade, caso o senhor possa me ajudar, agradeceria muito, e também para esclarecer outros que estão na mesma situação.

Paz e Bem.

Rene B.

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Resposta

Muito prezado Rene, salve Maria!

Fiquei contente com seu e-mail por ele demonstrar em você um interesse em conhecer a verdade. Conte conosco para este fim.

O judaísmo foi a religião instituída por Deus no Antigo Testamento para preparar o povo judeu para a vinda o Messias. Neste sentido ela foi, enquanto tal preparação era necessária, a religião verdadeira.

Era uma religião preparatória e que, por essa razão, continha diversos símbolos da realidade que no futuro se concretizaria.

Tendo, pois, Deus se encarnado e se feito verdadeiro homem, tendo o Messias chegado ao mundo para resgatar os homens, havendo agora a realidade da redenção, não há mais necessidade e não faz sentido continuar com o símbolo.

Assim como não faria sentido um pai de família, ao chegar de uma viagem, continuar olhando para a foto de sua família que levou consigo durante a viagem em lugar de olhar agora para a esposa e para os filhos e de conversar com eles. O símbolo é usado enquanto não se tem a realidade. Dessa forma, não faz mais sentido ficar com o símbolo (a religião judaica, suas práticas, sacrifícios etc.) quando se tem agora a realidade que aquelas práticas apenas representavam.

Sobre o vídeo que você nos sugere, reservamos um tempo para assisti-lo e apontar-lhe algumas dentre suas inúmeras contradições.

Primeiramente, cabe afirmar que não há contradições nos Evangelhos. As supostas contradições alegadas pelo tal apóstata não foram demostradas. É uma afirmação gratuita e que se baseia apenas na má vontade do apóstata que deseja que os Evangelhos e o Catolicismo estejam errados.

Ele nega a autenticidade dos Evangelhos. Essa autenticidade já foi fartamente comprovada (recomendo-lhe que assista a esta aula da Profa Ivone Fedeli: http://www.montfort.org.br/bra/multimidia/Videos/a_veracidade_dos_evangelhos/).  

Além disso, os manuscritos do Mar Morto, encontrados no século XX, provam que os Evangelhos foram escritos antes do ano 70. Ora, Cristo morreu e ressuscitou no ano 33. Não haveria como, em tão pouco tempo, tantas “estórias” serem escritas e juntadas numa “cocha de retalhos”.

E o fato de que Roma era poderosa atesta a veracidade dos Evangelhos e não sua falsidade. Pois, se Roma tinha poder e controlava os historiadores, por que então esses mesmos historiadores comprovam (e não negam) a existência de Jesus Cristo?

E se Roma apoiava o Cristianismo (um falso judaísmo nas palavras do tal judeu), por que o perseguiu levando à morte centenas de milhares de cristãos?

Até mesmo Flávio Josefo, historiador judeu do I século, menciona Cristo em sua História dos Judeus. E não me venha dizer que falsificaram o livro de Flávio Josefo. Essa é outra afirmação gratuita carente de prova.

Além disso, se Roma tinha muito poder, coisa que de fato tinha, por que os romanos temiam os judeus? Por que Pilatos tinha tanto medo dos judeus? De onde vinha o temor que os romanos tinham dos judeus?

A influência dos judeus no Império é conhecida. Ora, se com tanta influência os judeus não puderam fazer prevalecer sua versão da história, isso só comprova que os Evangelhos são verdadeiros.

E se a história, como afirma o tal judeu converso, é falsa por que ninguém a contestou?

Vê-se, pelo contrário, que escritos de historiadores não católicos confirmam os fatos narrados nos Evangelhos bem como aqueles ensinados pela Igreja através da Tradição.

Veja, por exemplo, a alegação de que Jesus Cristo nunca existiu. Isso atenta contra toda a verdade história e mesmo contra o bom senso.

É a tentativa de renovar uma mentira repetida por séculos. Mentira que, aliás, havia até caído em desuso. Agora há quem a repita. É a velha estratégia de requentar o erro.

Há inúmeras fontes que provam a existência de Jesus Cristo.

Podemos dividi-las em Fontes Canônicas e Fontes Pagãs ou Judaicas:

Fontes Canônicas:

Provam a existência de Jesus Cristo os Evangelhos, os Atos dos Apóstolos, as cartas de São Paulo e outros textos do Novo Testamento.

Fontes Pagãs e Judaicas:

Tácito (56-117), historiador romano, afirma que: “Para se livrar dos rumores, Nero criou bodes expiatórios e realizou as mais refinadas torturas em uma classe odiada por suas abominações: os cristãos (como eles eram popularmente chamados). Cristo, de onde o nome teve origem, sofreu a penalidade máxima durante o reinado de Tibério, pelas mãos de um dos nossos procuradores, Pôncio Pilatos. Pouco depois, uma perversa superstição voltou à tona e não somente na Judeia, onde teve origem, como até em Roma, onde as coisas horrendas e vergonhosas de todas as partes do mundo encontram seu centro e se tornam populares. Em seguida, foram presos aqueles que se declararam culpados, então, com as informações deles extraídas, uma imensa multidão foi condenada, não somente pelo incêndio, mas pelo seu ódio contra a humanidade. Ridicularizações de todos os tipos foram adicionadas às suas mortes. Os cristãos eram cobertos com peles de animais, rasgados por cães e deixados a apodrecer; crucificados; condenados às chamas e queimados para que servissem de iluminação noturna quando a luz do dia já tivesse se extinguido.” (Annales 15.44)

Plínio o Jovem (61-114) por sua vez diz: “[os cristãos] têm como hábito reunir-se em um dia fixo, antes do nascer do sol, e dirigir palavras a Cristo como se este fosse um deus; eles mesmos fazem um juramento, de não cometer qualquer crime, nem cometer roubo ou saque, ou adultério, nem quebrar sua palavra, e nem negar um depósito quando exigido. Após fazerem isto, despedem-se e se encontram novamente para a refeição.” (Epístola 96)

Suetônio (69-141), em sua famosa obra “Vida dos Doze Césares” comenta: “Como os judeus, por instigação de Chrestus, estivessem constantemente provocando distúrbios, ele [Cláudio] os expulsou de Roma.” (Cláudio 25)

(Veja, caro Rene, que interessante este trecho do Ato dos Apóstolos que é contemporâneo ao fato narrado por Suetônio e a ele faz referência: “Ali, [Paulo] encontrou um judeu chamado Áquila, natural do Ponto, que havia chegado recentemente da Itália com Priscila, sua mulher, pois Cláudio havia ordenado que todos os judeus saíssem de Roma. Atos 18,2). É uma prova irrefutável da verdade histórica da existência de Cristo e da veracidade das Escrituras Sagradas.

Flávio Josefo (37-100), judeu, afirma: “Havia neste tempo Jesus, um homem sábio, se é lícito chamá-lo de homem, porque ele foi o autor de coisas admiráveis, um professor tal que fazia os homens receberem a verdade com prazer. Ele fez seguidores tanto entre os judeus como entre os gentios. Ele era o Cristo. E quando Pilatos, seguindo a sugestão dos principais entre nós, condenou-o à cruz, os que o amaram no princípio não o esqueceram; porque ele apareceu a eles vivo novamente no terceiro dia; como os divinos profetas tinham previsto estas e milhares de outras coisas maravilhosas a respeito dele. E a tribo dos cristãos, assim chamados por causa dele, não está extinta até hoje.” (Antiguidades Judaicas, XVIII, 3)

Afirmar, por outro lado, que Flavio Josefo trata muito sobre Herodes e pouco sobre Jesus não prova nada. Além do que, naquele momento histórico, quando os fatos relativos à vida de Cristo tinham acabado de acontecer, é natural que na mente de Flávio Josefo ainda não se antevia todo o desdobramento histórico que estava por vir. Com os elementos que ele possuía, a atuação de Herodes podia lhe parecer merecedora de maior destaque. Só isso.

Veja, por outro lado, quão vastas são as evidências da existência de Jesus Cristo. Só uma má vontade muito grande, fruto daqueles que desejam que Cristo nunca tenha existido, poderia afirmar tal absurdo.

Ademais, seria uma contradição – mais uma! – negar a autenticidade do Novo Testamento, mas aceitar a do Antigo Testamento. O que se vê no Novo Testamento é a realização das profecias contidas no Antigo. Leia, por exemplo, Isaías e depois os Evangelhos. É impressionante como narram a mesma coisa.

O tal judeu do vídeo diz que: “o Novo Testamento não é livro histórico. É livro de religião”. Ora, se o fato de um livro ser religioso desacredita os fatos por ele narrados, como fica então o Antigo Testamento? E como ficam a Torá, a Mishná e o Talmude? Eles gravarão um vídeo atacando-os também? Quanta contradição!

Ele também diz que não há fatos históricos que comprovem o que é narrado nos Evangelhos. Mas acabo de lhe mostrar que vários historiados, inclusive o judeu Flávio Josefo, comprovam a veracidade dos Evangelhos.

São as afirmações preconceituosas desse judeu que carecem de comprovação.

Qual argumento ele deu? Quais provas ele forneceu?

Quanto à alegação de que os Evangelhos foram escritos muito tempo depois da ocorrência dos fatos que eles narram, só se explica por uma razão: má fé.

Uma das provas da autenticidade dos Evangelhos são os escritos do Mar Morto, em Qumran, encontrados em meados do séc. XX. Tais escritos são anteriores ao ano 70.

Veja este texto do Prof. Orlando Fedeli:

“Os manuscritos do Mar Morto são documentos que uma seita judaica — os essênios — deixaram guardados numas grutas perto do Mar Morto, em Qumran, quando da invasão romana no ano 70 depois de Cristo.

Esses documentos foram encontrados por acaso, por alguns beduínos, que fizeram com eles bolsas de couro, pois eram de pergaminho.

Logo tais bolsas chamaram a atenção e os manuscritos acabaram nas mãos da Universidade Hebraica de Jerusalém. Foram os judeus que monopolizaram praticamente o controle dos documentos, e não o Vaticano.

Recentemente um padre, examinando um fragmento de pergaminho do tamanho de uma unha, constatou que a combinação de três letras que nele aparece só existe no Evangelho de São Marcos. Portanto, os essênios possuíam uma cópia do Evangelho de São Marcos antes do ano 70. Isso teve uma importância enorme, porque os hereges modernistas diziam que os evangelhos haviam sido escritos muito tempo depois de Cristo, e que eram invenções, mitos e lendas dos cristãos e não documentos históricos.

Ora, se o Evangelho de São Marcos existia em Quamran antes do ano 70, é porque ele foi composto ainda antes.

Como Cristo morreu no ano 33, o evangelho de São Marcos foi composto entre 33 e 70, isto é, foi um livro composto por testemunhas visuais de Cristo.”

Recomendo-lhe também que assista a videoaula da Profa. Ivone Fedeli sobre A Veracidade dos Evangelhos.

http://www.montfort.org.br:84/a-veracidade-dos-evangelhos/

O vídeo do tal judeu e seu vaidoso amigo “converso” não traz argumentos, mas apenas afirmações preconceituosas desprovidas de provas. Há muitos pontos que ele simplesmente afirma, mas não fornece uma prova.

Note, meu caro Rene, que a fé, como toda virtude, deve ser alimentada. Do contrário ela se enfraquece e pode mesmo morrer. A fé é uma virtude da inteligência e a inteligência existe para a verdade, é, pois, com verdades que alimentamos nossa fé. O estudo é o que alimenta a fé. Além do estudo, deve-se praticar atos de fé para esta cresça e se fortaleça.

Por isso lhe recomendo que não assista a tais vídeos.

Recomendo-lhe que use seu tempo com estudos sérios e embasados. Há muita coisa útil e importante para se estudar. Na perca seu tempo com vídeos de pessoas preconceituosas querendo passar-se por sábios.

Espero ter esclarecido suas dúvidas.

Salve Maria!

Prof. André Melo.

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