Data: 24-Jul-2017
De: Luciano
Cidade: Japão
Assunto: Ortodoxos

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Caríssimo Professor André,

Salve Maria!

Acompanho o seu canal Maria Flos Carmeli, ainda que o meu tempo seja bem escasso devido a minha rotina. Moro no Japão e como quase todo imigrante que mora aqui, ficamos mais tempo trabalhando do que qualquer outra coisa. Com as aulas postadas aprendi muita coisa e tenho complementado isso com leituras de autores católicos reconhecidos.

Tenho uma dúvida: tenho alguns contatos que são ortodoxos e percebi que os santos que eles veneram antes da cisma são os mesmos de nós, católicos romanos. Muitos deles reconhecem a santidade de certos santos que veneramos e viveram o período pós-cisma como São Tomás de Aquino, São Pio de Pietrelcina, etc. Porém, não encontrei a posição dos católicos sobre o reconhecimento da santidade dos santos venerados pela Igreja Ortodoxa depois da cisma. Eu li que o Santo Padre João Paulo II reconhecia a santidade do São Serafim de Sarov, que é venerado pela Igreja Ortodoxa. Mas como fica com relação aos outros num geral?

Desde já sou grato. Que Deus abençoe o seu trabalho e da sua equipe e a nossa Senhora interceda muitas graças.

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Resposta

Muito prezado Luciano, salve Maria!

Que alegria receber um e-mail que vem do outro lado do mundo!

E maior alegria ainda em saber que vem do Japão, país que tanto admiro. Que bom saber que há católicos no Japão!

Em qual região do Japão você vive? Com que você trabalha?

Minha esposa é de origem japonesa, Nakamura e Furukava. Seus avós migraram para o Brasil encontrando aqui a verdadeira fé. Morreram todos católicos graças a Deus, em alguns dos casos sendo batizados perto da hora da morte. Deus ouviu a oração dos filhos e dos netos, que já haviam se convertido com as aulas do Professor Orlando Fedeli.

Temos também muitos amigos japoneses. Uma delas inclusive, nascida no Japão, professora Eri Chibana, está se consagrando a Deus pelo ramo feminino da Fraternidade São Mauro.

Seu e-mail, caro Luciano, me animou a gravar uma aula sobre a história das missões no Japão nos séculos XVI e XVII. É um tema que gosto enormemente. O número de mártires no Japão é imenso. E se Deus quiser um dia todo o Japão há de se converter. É um povo de muito valor.

Você conhece o elogio que São Francisco Xavier fez aos japoneses?

“Após estudar e analisar os nipônicos, Xavier chegou à conclusão de que eles eram dos povos orientais até então ‘descobertos’, os mais bem-dotados. Tinham profunda noção de honra, cultivavam a cortesia, obedeciam aos superiores hierárquicos, tinham sede de conhecimentos, gostavam de ouvir histórias baseadas na razão.” (Conf. Yamashiro, José. Choque Luso no Japão dos Séculos XVI e XVII. Editora Ibrasa, São Paulo, 1989. P. 54).

Tinham profunda noção de honra… virtude rara nesses nossos dias.

Você me pergunta sobre os santos venerados na Igreja Ortodoxa. Os chamados ortodoxos aceitam os santos católicos anteriores ao Cisma (1054), mas não os posteriores uma vez que eles não reconhecem a autoridade do Papa e nisso consiste um de seus maiores erros e dos principais motivos de sua separação da Igreja Católica.

A Igreja Ortodoxa não conserva, portanto, a Fé em sua integridade e, como sem verdadeira Fé não pode haver santidade, é impossível haver santos entre os chamados ortodoxos. Eles negam o primado de Pedro, negam a questão do Filioque no Credo, dentre outros erros. Sem Fé não há santidade.

A Fé deve necessariamente ser íntegra. Perdendo-se um só ponto da Fé perde-se a Fé inteira. Não existe meia Fé. E os ortodoxos negam alguns pontos da Fé, logo eles não têm Fé. E, portanto, não produzem santidade.

Para ajudá-lo na compreensão do Cisma do Oriente, envio-lhe em anexo um artigo que escrevi recentemente sobre esse tema.

Escreva-nos sempre que desejar. Reze por nosso apostolado.

In Corde Iesu.

Salve Maria!

Prof. André Melo

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