Data: 16-Fev-2018
De: Rene B.
Cidade: –
Assunto: Nacionalismo e Patriotismo

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Qual a posiçao da igreja sobre o nacionalismo e o patriotismo, qual dos 2 sao bom e qual é ruim

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Resposta

Muito prezado Rene, salve Maria!

Sua pergunta é bastante oportuna, visto que presenciamos atualmente a ascensão da direita nacionalista.

Começo explicando o dever que temos para com a pátria, ou seja, patriotismo.

O patriotismo é um dever que decorre do Quarto Mandamento. Assim temos que honrar nossos pais, temos que honrar nossa pátria.

E somos patriotas quando damos à pátria aquilo que a ela devemos: a honra, os serviços, a dedicação e a defesa.

Cumprir os deveres de estado, praticar e defender a lei de Deus na sociedade, propagar a doutrina social da Igreja, são as melhores maneiras de exercer o correto patriotismo.

O patriotismo não tem portanto qualquer relação com torcer para o país na Copa do Mundo…

Recomendo-lhe o seguinte sermão do Padre Daniel Pinheiro, do IBP, onde ele trata do verdadeiro amor à pátria.

https://missatridentinaembrasilia.org/2018/04/24/sermao-a-piedade-para-com-a-patria/

Bem diferente do patriotismo é o nacionalismo, fruto do liberalismo romântico, que imagina uma nação perfeita e em tudo superior às demais. É um erro que produz o desprezo das demais nações.

O nacionalismo coloca os laços pátrios acima dos laços de fé. Para um nacionalista os interesses de seu país estão acima dos interesses de Deus e da Igreja. Por conseguinte, aliar-se a inimigos da Igreja seria permitido desde que trouxesse vantagens ao país.

Vemos elementos desse erro já no século XVII. Durante a Guerra do Trinta Anos a França católica aliou-se à protestante Suécia para combater o Sacro Império. Os interesses do país foram colocados acima dos interesses de Deus e da Igreja.

O nacionalismo propriamente dito é filho da Revolução Francesa e pai de todas as guerras modernas.

Ele é portanto liberal e aplica à nação os mesmos erros aplicados pelo liberalismo ao indivíduo. Consequentemente, para o nacionalismo cada nação é livre para criar leis, ainda que injustas, que lhe tragam vantagens e façam prevalecer seus interesses. A moral não é considerada. Cada nação, assim como cada indivíduo, decide o que é certo ou errado para si.

A confusão entre patriotismo e nacionalismo leva muitos católicos a acreditarem que amar a pátria significa fechar os olhos para seus defeitos ou atribuir-lhe qualidades que não tem.

É um erro que graça muito particularmente entre os católicos denominados conservadores.

Charles Maurras, nacionalista francês de péssimas ideias, fez e ainda faz muito sucesso entre os católicos. E entre os católicos ditos tradicionalistas…

Veja você, caro Rene, que o patriotismo passa bem longe do nacionalismo.

Espero ter esclarecido sua dúvida.

Escreva-nos sempre que desejar. E lembre-se de rezar por este apostolado.

Salve Maria!

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