Muito prezado,
Salve Maria.

Agradeço-lhe sua confiança e suas palavras. Deus lhe pague. Não discuta com sua mãe, mas peça a ela que reze por você. Quem viu a própria mãe rezando, acaba católico.
     A prova da contingência mostra que todos os seres do Universo têm existência mas que sua essência não inclui como nota necessária a existência. Portanto, esses seres receberam existência.
     Se eles sempre tivessem existido, eles seriam eternos, pois sua essência incluiria a qualidade existência. E, se fosse assim, eles nunca deixariam de ser, nunca mudariam. Ora, tal não se dá.
     Portanto, os seres contingentes não são eternos, pois o que é eterno não muda. (Ver a Primeira Prova de São Tomás)
     Você me escreve:

Não me vêm na cabeça nenhuma resposta lógica, nem científica e nem religiosa para apoiar que um ente deve ter um início”.

Meu caro Tiago, você e eu somos entes que nem sempre existimos.

     A Física e a Geologia mostram que o mundo material teve início. A teoria do Big Bang fundamentada no movimento das Galáxias comprova que o Universo teve início.
     Quando você pergunta quem criou Deus, você mostra que não compreendeu perfeitamente a prova Primeira de Aristóteles. A pergunta inclui o verbo criou no pretérito perfeito. Ora, essa pergunta implica movimento, e o Ser Absoluto não tendo potência passiva não pode ter nenhum movimento. A Deus não se podem aplicar — porque ele é Ato puro sem potência passiva — nenhum verbo que implique em movimento ou mudança.

O Gênesis é um livro que deve ser entendido como histórico. O que não significa que ele não use símbolos. Veja por exemplo, no primeiro dia Deus fez a luz. Mas só no quarto dia Ele fez o sol. Então como havia primeiro dia? De onde veio a luz do primeiro dia?
Dia, então, não significa período de 24 horas, mas etapa. Pois Deus mesmo diz que um dia para Deus equivale a mil anos, isto é, a um tempo imenso.
    O primeiro versículo do Gênesis é bem difícil.
    Diz ele:

“1 No princípio criou Deus os céus e a terra“.


Céus significa aí todas as criaturas espirituais e terra todas as criaturas materiais. E é por isso que no credo dizemos que: “Creio em um só deus, Pai todo Poderoso, criador do céiu e da terra, de todas as coisas visíveis (Terra) e invisíveis (Céus, os anjos)”.

É falso que os estudos bíblicos dão a terra 6.000 anos. Esse cáculo é de alguns rabinos e de pastores protestantes, não da Igreja Católica.
     Esse cálculo se baseia no tempo de vida dos primeiros patriarcas como é contado no Gênesis quando dá a descendência de Adão. São citadas 10 gerações desde Adão até Noé. E dez é número claramente simbólico.
     Certos rabinos e pastores protestantes fazem o cálculo baseados na duração da vida desses 10 descendentes de Adão, como se fossem um filho do outro diretamente.
     Entretanto isso não é assim.
     Quando na Bíblia se diz descendente ou gerado não quer dizer filho direto. Jesus é chamado filho de Davi e viveu mais de mil anos depois de o Rei Davi. Filho de Davi significa então apenas descendente, mas não na primeira geração.

Que o sol, a Lua e as estrelas tenham sido criadas no quarto dia é uma figura de linguagem. Lembre-se que já no início Deus fez tudo de uma vez: céus e terra, seres visíveis e invisíveis.

     No primeiro dia, Deus fez todo o universo, estabelecendo as leis que regem e que pouco a pouco permitiram a terra ir esfriando, aparecendo águas condensadas, num nevoeiro imenso que não permitia ver as estrelas. No quarto dia, na quarta etapa, que deve ter levado milhões de anos, Sol, Lua e estrelas se tornaram visíveis, mas já existiam antes,.
     Recomendo-lhe que leia um livro de um rabino que trata das relações da Física atual com o Gênesis. O livro se chama O Gênesis e o Big Bang e seu autor se chama Gerald L. Schroeder. (Editora Cultrix 232 páginas).
     Um abraço.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli