Democracia Liberal: demagogia maquiada

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Fábio Vanini

DEMOCRACIA LIBERAL:

DEMAGOGIA MAQUIADA

“Busquemos o melhor, não o mais comum, aquilo que conceda uma felicidade eterna, não o que aprova o vulgo, péssimo interprete da verdade.”. (Sêneca, Da Felicidade. Cap. I, II)

Aproxima-se mais um sufrágio para a presidência do Brasil. A democracia liberal é o grande dogma da sociedade moderna, laicizada e humanista. Todo indivíduo tem igual capacidade de avaliar o que é melhor para o coletivo dos homens. O patriarca e o caçula têm o mesmo direito de saber o que é o melhor para a família, com igual direito a divergirem. Aliás, divergência é sinal de saúde democrática.

A grande massa já elegeu, aos berros e às lagrimas – e ao som de um samba emocionante – o direito universal às eleições diretas como a última grande revolução libertadora da humanidade. O povo agora pode voar com as asas da democracia.

E com a estultície de uma pomba…

É natural que não se possa esperar boa coisa do mesmo meio com que se escolheu Barrabás. “A voz do povo é a voz de Deus”, imagine…

Barrabás, que não tinha impresso nenhum santinho, foi eleito o santo. Mas se tivesse que produzir santinhos, certamente investiria muitas moedas de ouro – mais de trinta – para uma boa fotografia. Porque a fotografia é a alma do negócio.

Um estudo realizado na Suíça1, publicado na Science, mostrou a importância da imagem na escolha do candidato preferido pelos eleitores. As fotos do primeiro e segundo colocados em eleições ocorridas em 2002, na França, foram disponibilizadas para 2.841 pessoas na Suíça, sendo 681 crianças entre 5 e 13 anos. Uma situação hipotética os obrigou a escolher como líder uma das duas pessoas das fotos.

Os resultados foram surpreendentes? Nada… – predicting elections…1- Os próprios autores do artigo introduzem a pesquisa com o argumento de Platão de que a tripulação não é capaz de eleger um bom capitão para seu navio, pois julga segunda as aparências. Os participantes da pesquisa de 2009 elegeram exatamente o vencedor das eleições francesas de 2002. As crianças também… Sem contar que, na Suíça, a democracia é, historicamente, bem madura.

Disso, depreende-se o óbvio: as escolhas populares dos nossos representantes são feitas considerando-se somente as aparências e valendo-se de critérios infantis.

O estudo não considera, no entanto, que há alguém por trás das opções… Essa, nem os cientistas que publicaram na Science pegaram, ou se furtaram de denunciá-lo: quem escolhe os rostos que serão fotografados nos próximos santinhos eleitorais? No trabalho de pesquisa citado, um critério foi utilizado para eleger o material fotográfico. Não seria natural esperar o mesmo no pleito liberal?

No Brasil, escolheu-se – quem escolheu? – a esquerda mais radical. Em seguida, escolheu-se os candidatos. Tudo bem que estes vão ter que se maquiar muito para se tornarem competitivos, mas, ganhando um ou outro, ganha a esquerda. E o povo sai contente com suas asas de pomba e sua vaidade de pavão.

E assim, Barrabás vai se reelegendo ao longo dos anos, e, com ele, o povo vai sendo conduzido pelos governantes que merece. Curiosamente, Barrabás era um ladrão.

 1 Predicting Elections: Child’s Play! Science 27 Fevereiro de 2009: Vol. 323. no. 5918, p. 1183