02- Verdade e Certeza

Data

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no email
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no email
Compartilhar no whatsapp
image_pdfConverter em PDFimage_printPreparar para impressão

Orlando Fedeli

Verdade e Certeza – Lisboa

 

  • Localizaçao: Lisboa – Portugal
  • Religião: Outras

 

A religião causou e continua a causar a morte e o sofrimento dos homens porque os divide e nao os deixa pensar por si proprios, submetendo os às palavras e ideias de outras.Por isso eu acho que a única religião que se interessa sinceramente pelo homem è aquela que o faz pensar por si próprio e deixa o ser ele a escolher o seu caminho sem lhe impôr nada.Porque nós estamos no mundo para viver e não para sermos comandados por ideias milenares que não nos deixam avançar, mas tenho respeito por todas as outras religiões e seus deuses.E sinceramente acredito que existe mais algo , mas como eu ,ninguém o pode afirmar porque só se sente e não se tem provas do que é.E o que eu sinto dentro de mim é diferente em todas as pessoas,por isso cada um de nós tem a sua maneira própria de sentir o seu”deus” ou a sua “fé”ou esperança e não pode ser “ordenado ” por nenhum “comum terreste” como deve proceder religiosamente a sua vida.

———-

Prezada Salve Maria.

Sua carta é muito sintomática. Ela revela uma mentalidade tipicamente romântica, subjetivista e liberal. Por isso mesmo, cheia de contradições.

Você me afirma que “eu acho que a única religião que se interessa sinceramente pelo homem é aquela que o faz pensar por si próprio e deixa o ser ele a escolher o seu caminho sem lhe impôr nada.”

Então VOCÊ ACHA?

E o que você ACHA é o que determina o que é certo e o que é errado? E se você ACHAR que o sol é frio, será que ele passará a usar cachecol? Se você achar que ácido sulfúrico é remédio contra a tosse, ele passará a ser meio de cura para a tosse? E se você ACHA que dois mais dois são 15, sua conta estará certa só porque você ACHA?

Minha cara, a verdade não depende do sujeito, e sim do objeto. A verdade é a correspondência entre a idéia de um sujeito com o objeto que ele conhece, e essa correspondência depende do objeto, e não do sujeito.

A verdade é objetiva.

Aquilo que você pensa que pensou por si mesma é fruto do subjetivismo idealista do romantismo, que lhe foi imposto pela propaganda. Na verdade, você repete o que todo o mundo pensa que pensa. Repete o que a propaganda repete.

Nada menos original do que o pensamento de quem diz EU ACHO.

Você sabe, minha cara, que é no hospício que cada louco ACHA que é Napoleão. E nem por isso fica sendo Napoleão.

O subjetivismo lhe foi imposto – e você nem o percebeu – na escola, na mídia, e em todo ambiente relativista reinante no século XX.

Você me diz: “Porque nós estamos no mundo para viver e não para sermos comandados por ideias milenares que não nos deixam avançar”.

Estamos no mundo para viver? Então o viver não tem finalidade fora do próprio viver?

Comandados por “idéias milenares”? Minha cara, você prefere ser comandada por idéias que valem só agora, e que amanhã se devem jogar fora porque já estão no passado? Idéias que só valem hoje são idéias descartáveis. As idéias, minha cara, não se classificam como novas ou milenares: as idéias são certas ou erradas.

Seu subjetivismo é um Credo de um único artigo: EU ACHO. Ele leva ao relativismo. Nada é realmente certo ou realmente errado.

Daí você ACHAR e até escrever que: “tenho respeito por todas as outras religiões e seus deuses”. Como se todos deuses fossem verdadeiros.

Diga-me, você respeita a deusa Cali, que exige que se matem pessoas por estrangulamento? Ou o deus azteca Huitzlopotchli, que exigia sacrifícios humanos monstruosos? Ou Buda, que condena o homem ter qualquer desejo? Ou o deus cátaro que afirmava serem a mulher, o matrimônio e a procriação intrinsecamente maus? Ou o deus Moloch, que exigia que as mães sacrificassem seus filhos no fogo?

Como ter respeito pelo que é falso? Como ter respeito por falsos deuses que na verdade, como diz a Sagrada Escritura, são demônios?

Você me garante que crê existir algo: “E sinceramente acredito que existe mais algo, mas como eu, ninguém o pode afirmar porque só se sente e não se tem provas do que é”.

Minha cara, Deus não se SENTE. Com sentimento não se crê em nada. Crê-se com o intelecto, que não sente.

E dizer que ninguém prova nada é também uma consequência do relativismo subjetivista.

Aristóteles e São Tomás provam que Deus existe. A existência de Deus não é de fé. É algo racional, que se prova (leia em nosso site as provas da existência de Deus, segundo São Tomás).

Seu sentimentalismo religioso e relativista proclama que: “E o que eu sinto dentro de mim é diferente em todas as pessoas, por isso cada um de nós tem a sua maneira própria de sentir o seu “deus” ou a sua “fé” ou esperança”.

Se você é relativista, você não sabe se o que você SENTE é realmente diferente do que os outros sentem. E você não SENTE seu “deus” dentro de você, porque Deus, repito, não é algo material para ser sentido. Nem Deus está dentro de você como o bacalhau que você almoçou está dentro de seu estômago, ou o sangue em suas veias.

Fé e Esperança não são sentimentos. São virtudes.

A Fé é uma virtude intelectual que nos faz aceitar o que Deus revelou como verdade, o que a pura razão, por si, não poderia conhecer.

A esperança é a virtude que nos faz confiar que, sendo Deus bondosíssimo, nos dará certamente um prêmio eterno, que Ele mesmo nos prometeu, caso acreditemos nEle e obedeçamos à sua Lei.

Coloco-me à sua disposição para elucidar melhor as dúvidas que não consegui elucidar nesta resposta.

Escreva-me, que a ajudarei no que possa. Mas sempre lhe direi a verdade, e não o que eu ACHO. O que eu acho não interessa Nem o que você acha. Importa a realidade. Importa o que Deus nos revelou.

In Corde Jesu, semper,

Orlando Fedeli.

 
image_pdfConverter em PDFimage_printPreparar para impressão