556- Padres Sem Graça

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Orlando Fedeli

Padres Sem Graça

 

  • Localização: Jijoca de Jericoacoara – CE

 

A todos da Montfort*, minhas cordiais saudações!

Antes de mais nada, venho vos parabenizar pelo seu serviço de verdadadeira evangelização.
Quero fazer um comentário e peço que tirem uma dúvida que tenho. Li, recentemente, a transcrição de um texto do Pe. Zezinho sobre ecumenismo, comparando as igrejas com as mães. Ora, isso não tem cabimento, pois ser mãe é uma coisa, ser igreja é outra! Esse discurso ecumênico é totalmente supérfluo, não teve, até hoje, nenhum sucesso. Ou teve? Só para ver como as coisas mudaram: minha mãe tem em casa um livrinho (da década de 50) que ela ganhou quando era criança, o seu nome é “O Pequeno Missionário”, e ele diz claramente que uma das portas do inferno é o protestantismo, chegando a afirmar que Lutero era um homem que vivia na crápula e na orgia. Depois do Vaticano II, alguém fez semelhante acusação? Vivemos numa sociedade de meias verdades, toda lisonjeira. Até para alguns grupos católicos, Martinho Lutero é um herói!

O pe. Zezinho que me perdoe, mas essa conversa de diálogo religioso é uma barco furado, e seus escritos chegam a ser irritantes! Não quero uma religião adocicada, quero uma Igreja que seja luz do mundo e SAL da terra, como o Senhor ordenou! Açúcar demais faz mal!
Outro pe. modernoso é o padre Fábio de Melo, que é da mesma congregação do pequeno Zé. Ele é todo “estiloso”, só usa roupas da moda, é bonitão, nas capas de seus discos só aparece em poses fotogênicas, tipo “galã de cinema”. É o típico “metrossexual”, como são chamados os homens modernos, sem nenhum receio de serem vaidosos, cuidando da aparência! Certa vez, questionado por um telespectador, em seu programa na Canção Nova, por que não usava batina no seu cotidiano, o jovem sacerdote respondeu tranqüilamente que, usando roupas normais, não era tão assediado pelas mulheres da mesma forma que se estivesse de batina. Das duas uma: ou ele é fraco demais na sua vocação, ou tem vergonha de dizer que é padre! Dizia ele ainda, em outra oportunidade, que evangeliza até na academia que ele freqüenta!

“Issa! Saúde é o que interessa, o resto não tem pressa!”, dizia um famoso bordão humorístico. Agora tudo é fashion, tudo é light, tudo é diet! Quando não é o pequeno Zé com seu discurso cheio de ternura e com bastante açúcar, vem o modernoso Fábio, com tudo dietético, bombado e musculoso!

Outro, que por coincidência, é da mesma ordem do pequeno Zé e do Melo, é o pe. Léo. Já viu seus sermões? Mais parece o finado Ronald Golias contando piada! E falando em humorista morto, “puxa vida”, onde estão os superiores do pe. Antônio Maria? Como gosta de aparecer na mídia! O amigo do Roberto Carlos, do Ronaldo “fenômeno”, e de tantos outros, encomendando a alma do Golias! Que feio! Uma pessoa que era “espiritualista” declarada, sendo chorada por um sacerdote católico?

A dúvida que quero tirar, é justamente sobre a congregação dos dehonianos, da qual saíram padres da estirpe (para não dizer outra coisa) do pequeno Zé, do Meloso e do Leléo. Quem foi o Pe. João Dehon? Qual era a sua espiritualidade? Era ele também um modernista?

Agradeço desde já o vosso retorno.

In Corde Iesu, semper!

 

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Muito prezado,
salve Maria!

Que alegria ao ler sua carta! Ela me despertou saudades do Ceará — E que boas saudades! — tanto ela transpira a capacidade de observção e de crítica cearense! Tanto ela faz ver a vivacidade do povo desse Estado!
Ela me trouxe à mente alguns estudantes do Crato aos quais dei aula, um dia só, e que eram vivíssimos.

Suas críticas ao ecumênico Padre Zezinho, ao “elegante” Padre Melo, e ao humorista Padre Léo são muito procedentes.
Infelizmente nunca li sobre a vida do padre Dehon, que pode ter sido muito bom. Outra coisa são esses padres dehonianos de hoje.
Em todas as congregaçõe e ordens religiosas fundadas por grandes santos, hoje, se encontram padres escandalosos.

Que diria Santo Inácio dos jesuítas comunistas de hoje em dia.
Que diria São Domingos do semi frei Betto?
Que diria São Francisco de Dom Arns do ex frei Boff? E de Dom Lorscheider?
E Dom Bosco como choraria vendo o que são hoje os padres salesianos!

A culpa de existirem esses padres sem graça (de Deus) é do Modernismo do Concílio Vaticano II. É culpa da Nova Missa que Bento XVI em boa hora quer reformar.
Foi essa Nova Missa que formou esses novos sacerdotes de show-missa

Escreva-me sempre. E com o bom homor cearense.
Para me matar a sede que me ficou do Ceará.
Para me aplacar a sede de justiça contra padres que dão tão maus exemplos.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

*O professor Orlando Fedeli foi presidente da Associação Cultural Montfort de 1983 a 2010.

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