812- Uma Questão de Princípio

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Orlando Fedeli

Uma Questão de Princípio

 

  • Localização: Natal – RN

 

Gostaria de sua opinião sobre o texto que vai abaixo. Um diálogo aberto só é possível quando tributamos ao interlocutor respeito pela sua posição e fala. Por isso, por respeito à sua opinião, peço-a. Mas peço, também, que não a construa de maneira a tentar me convencer que a sua opinião é a única possível ou a sua fé é a única correta. Fé é algo tão subjetivo que não se convence o outro da relevância de nossa fé ou da mentira da fé alheia com simples palavras humanas.
Gostaria que você julgasse, se possível, minhas palavras sob a perspectiva dos maiores mandamentos: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Nessa perspectiva, por amor ao próximo e como forma de se opor à morte e à injustiça, a Revolução seria justificável?
Sobre Che e o Deus da Bíblia

Em 8 de outubro de 1967 o exército boliviano capturou Ernesto Che Guevara. No dia seguinte, ele foi executado de maneira a parecer ter sido morto em combate. A notícia de sua morte foi um baque em todos os latino-americanos que acreditavam em um mundo mais justo e que esse mundo viria através da Revolução.
O tenente-coronel boliviano Andrés Selich interrogou o prisioneiro antes de ser executado:
“Comandante, acho que está um pouco deprimido, disse Selich. Pode me explicar os motivos dessa minha impressão?”
“Eu fracassei”, respondeu Che. “Está tudo acabado, e esse é o motivo de você me ver nesse estado.”
“Você é cubano ou argentino?”, perguntou Selich.
“Sou cubano, argentino, boliviano, peruano, equatoriano, etc. Você entendeu.”
“O que o fez decidir atuar em nosso país?”
“Não vê o estado em que vivem os camponeses?”, perguntou Che. “São quase selvagens, vivendo num estado de pobreza que corta o coração, tendo um único quarto para dormir e cozinhar e nenhuma roupa para vestir, abandonados como animais…”
“Mas a mesma coisa acontece em Cuba”, replicou Selich.
“Não, isso não é verdade”, reagiu Che. “Não nego que haja pobreza em Cuba, mas [pelo menos] os camponeses de lá têm uma ilusão de progresso, enquanto o boliviano vive sem esperança. Assim como nasce, ele morre, sem jamais ver melhorias em sua condição humana.”
(MANGUEL, Alberto. No bosque do espelho: Ensaios sobre as palavras e o mundo. Tradução de Pedro Maia Soares. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, p. 78-79).
No fim dos anos 50 e nos anos 60, o tema que dominava o pensamento social era a Revolução. O maior problema dos cristãos nesses dias foi ter se filiado aos poderosos, de tal maneira que justiçavam e mesmo mantinham toda opressão e espoliação dos mais pobres e miseráveis. Aliás, a melhor denominação para pobres e miseráveis é explorados, porque eles não estão nessa situação nem por opção própria, nem por escolha de Deus.
“Diários de Motocicleta” mostra como a constatação in loco dessas coisas por Ernesto Guevara de la Serna fez nascer dentro dele a indignação e o espírito revolucionário. E então ele fez uma clara opção pelos pobres da América Latina. E foi à luta da melhor maneira que pôde perceber a fim de transformar as coisas. E fez Revolução.
Diferente de Fidel, que se tornou ditador (da mesma estirpe de Fulgêncio Batista), Che se fez revolucionário e partiu para cada confim onde havia injustiça para lutar por justiça. A igreja de então, como tantas vezes a igreja de agora, preferiu a comodidade dos palácios, comemorando o Golpe de 64 (no Brasil), assumindo os interesses norte-americanos em vez dos interesses de sua própria gente, entregando seus filhos à tortura e à morte nos anos seguintes.
A submissão às autoridades não pode ser confundida com conivência ou acomodação. Grandes homens de Deus transformaram as coisas se opondo com firmeza a uma ordem social injusta: Lutero, Calvino, Knox, Martin Luther King Jr., Bonhoeffer, Desmond Tutu, Nelson Mandela. Afinal, o “Magnificat” (Lucas 1. 46-55) mostra-nos um Deus que faz a Revolução e opta pelos explorados: “Derribou do seu trono os poderosos e exaltou os humildes. Encheu de bens os famintos e despediu de mãos vazias os ricos” (Lc. 1. 52-53).
É bom lembrar também que cristãos, evangélicos ou católicos, fizeram a Revolução, sem crises de consciência, em Cuba, em Nicarágua, em outros lugares, lutando pela Verdade e pela Justiça. Além disso, Che pode nos ser exemplo, aos cristãos, em sua disposição ao martírio (a capacidade de entregar a vida pela causa da justiça), em sua não conformidade com a injustiça, em sua denúncia de todo mal, em seu compromisso com os pobres: “Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus. Bem-aventurados vós, os que agora tendes fome, porque sereis fartos. Bem-aventurados vós, os que agora chorais, porque haveis de rir. (…) Ai de vós, os ricos! Porque tendes a vossa consolação. Ai de vós, os que estais agora fartos! Porque vireis a ter fome. Ai de vós, os que agora rides! Porque havereis de lamentar e chorar!” (Lc. 6. 20-25) e “Quão dificilmente entrarão no Reino de Deus os que têm riquezas! Porque é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no Reino de Deus” (Lc. 18. 24-25).
Os crentes geralmente defendem posições sem se aperceberem dos seus entornos. Não notam que questões e que condicionamentos os cercam. Não percebem que tantas vezes pensam estar afirmando verdades bíblicas, sem se darem conta que apenas reproduzem discursos ideológicos de manutenção do poder por seus donos. Não percebem o absurdo que é, em nome da defesa da submissão, defender a injustiça, a opressão, a morte e o mal, que se fortalecem quando assumimos a fala daqueles que exercem seus podres poderes, enquanto a nossa gente morre de fome, de raiva ou de sede. Defendem interesses que desconhecem, crendo na sua relevância bíblico-teólogica, assumindo compromissos contrários ao seu próprio povo, defendendo, direta ou indiretamente, a morte, a tortura, a dor, defendendo aqueles que humilham, exploram, matam, invadem, torturam e ensinam a torturar. Foi assim nos anos 60 no nosso meio, é assim ainda hoje, porque o nosso senso crítico não se desenvolveu ao ponto de podermos notar que tipos de discurso obliteram ainda uma leitura coerente e relevante da Bíblia. E, assim, em vez de lutar por justiça e pela verdade, em vez de lutar contra o pecado e contra as estruturas de morte, preferimos assumir a submissão (que dizem necessária) aos discursos de destruição, de opressão e de morte. João Alexandre já denunciava que enquanto o domingo ainda for o nosso dia sagrado, enquanto cantarmos e dançarmos com os olhos fechados, sem percebermos tanta gente que morre de fome e de sede ao nosso lado, não tem jeito.
Por isso, entre os televangelistas e as teologias podres em defesa dos poderosos que estão aí, entre essas coisas e um revolucionário como Che, eu fico com Che. Hasta la muerte!

 

——————

 

Muito prezado,
salve Maria !

Agradeço-lhe seu interesse sobre minha mera opinião. Porém, minha opinião nada vale. Ou vale como qualquer outra, porque opiniões são palpites que damos sobre o que não conhecemos, ou sobre o que temos dúvida.
Costumo dizer, meu caro, que opinião é palpite de intelectual. Já Sócrates fazia essa distinção entre o que se sabe com certeza e o que era opinião sobre o que se desconhece ou o que não está claro.
Na Ciência, como você bem sabe, temos algumas certezas, e um certo tipo de certezas.
Na Fé a certeza é ainda maior, pois que a Fé é crer no que Deus Nosso Senhor nos revelou. E Deus não pode se enganar e nem pode querer nos enganar. Portanto, nada mais certo do que as verdades da Fé.
E a Fé não é correta por ser minha ou sua, mas por vir de Deus, nosso Pai.
As verdades da Fé, então, nunca são subjetivas.
Mas, para atender a seu pedido, não prossigo neste tema, e vou ao que me pede.

Você me diz:
“Gostaria que você julgasse, se possível, minhas palavras sob a perspectiva dos maiores mandamentos:
“Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Nessa perspectiva, por amor ao próximo e como forma de se opor à morte e à injustiça, a Revolução seria justificável?”(O negrito e o sublinhado são meus).

Essa é a sua pergunta e seu pedido: que eu dê meu julgamento sobre o que você me diz.
Agradeço-lhe tal confiança.
Agora devo dar-lhe a minha resposta e meu julgamento sobre o que você me escreveu e me pediu.

O primeiro mandamento da Lei de Deus condena fazer Revolução e mostra que ela é injustificável.

Esse é o meu julgamento.

Mas todo julgamento deve dizer em que ele se fundamenta. E, apesar de você pedir que eu não procure convencê-lo, sou obrigado, por seu pedido, a justificar porque julgo que a revolução é injustificável, à luz do primeiro mandamento.
[Aliás, como me pede você que não procure convencê-lo, se você, em sua missiva, tenta continuamente justificar o que pensa e me convencer de que você está certo? Tenho certeza, então, que você me permite exercer o mesmo direito].

Repito sua pergunta:”Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Nessa perspectiva, por amor ao próximo e como forma de se opor à morte e à injustiça, a Revolução seria justificável?”

Amar é querer bem. Querer a justiça e que o próximo viva e não morra é um bem. Opor-se a morte e à injustiça é, de fato, um bem.
Mas, há três coisas a ponderar:

1 – A vida material não é o maior bem, e nem e o bem absoluto.
2 – A Justiça é um bem em si mesmo, mas há que perguntar o que se entende por justiça.
3 – Para combater em prol da justiça não se pode recorrer a meios injustos.

Examinemos, então agora essas três coisas.
Amar é querer bem. E é isso que nos manda o primeiro mandamento, que você, como protestante, aceita.

Porém, ha dois tipos de bem:

1– O Bem Absoluto, que é Deus;
2–Os bens relativos, vida, saúde, prazer, riquezas, saber, prestígio, etc.

Bens relativos são todas as coisas que recebemos de Deus, e que podemos usar de modo correto ou de modo incorreto ou injusto.
Se os usamos para alcançar o Bem Absoluto, nós os usamos correta e justamente .
Se usamos os bens relativos de modo errado, de modo a perdermos o Bem Absoluto, agimos mal.

Você mesmo, citando o Evangelho, lembra que os maus ricos usam erradamente o bem da riqueza, de modo que perderão o Bem Absoluto, que é Deus, o reino dos céus. Porque, se há maus ricos, podem existir, então, bons ricos, que são aqueles que usam justa e corretamente as riquezas.
Você vai me seguindo, meu caro?
Veja que estou apenas justificando o julgamento que você me pediu.
Não o estou forçando.
Portanto, se a riqueza não é o Bem Absoluto, a pobreza não é também um mal em si mesma. Tanto assim que você mesmo cita que pode haver pobres bem aventurados; “Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus” (Luc.VI, 20).
Mas, então, se a pobreza material fosse a causa da bem aventurança, então você faria mal em combater a pobreza.
Combater a pobreza — como você diz que fez Chê Guevara — seria a suprema injustiça e a suprema maldade.
É claro que Cristo não defendeu que se deveria manter todo o mundo pobre.
Entretanto a frase de Cristo que você cita de São Lucas, é completada mais claramente em São Mateus onde se lê:
“Bem aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus” ( Mt V. 3).

Nem todo pobre é bem aventurado.
Nem todo rico é maldito.
Bem aventurado é só o pobre de espírito, isto é, aquele que usa corretamente o bem da riqueza.
Maldito é o rico que põe seu fim absoluto na riqueza.
Mas um favelado que julga que a riqueza e o maior bem, que ter riquezas é o único motivo da vida, que o mal é ser pobre, esse favelado é um rico de espírito.
Ora, meu caro, vou lhe citar três ou quatro ricos de espírito que julgam que a riqueza é o grande bem e que ser pobre é um mal e uma injustiça:
Primeiro que todos Karl Marx. Esse foi um homem rico de espírito, amaldiçoado por Cristo, porque ele colocou a riqueza como Bem Absoluto, e por isso ele se disse ateu.
Segundo rico de espírito, foi Chê Guevara, porque ele, seguindo Marx, lutou para acabar com a pobreza, julgando-a péssima, e, por isso negando a Deus que disse: “A pobreza é péssima no dizer do ímpio” (Eccli.XIII, 30), e negando o que disse Cristo, conforme sua própria citação “Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus” (Luc.VI, 20)., ou conforme Cristo disse em São Mateus, “Bem aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus”( Mt V. 3).
Terceiro rico de espírito — e ao que parece nem só de espírito –, o Teólogo da Libertação, Genésio Boff , o ex Frei Boff, que diz coisas muito parecidas com as dos evangélicos marxistas.
Há ainda um quarto rico de espírito, que conheci hoje: o evangélico marxista-guevarista, embora não fidelista.

Sim, meu caro, você é um rico de espírito.
O primeiro mandamento não nos manda, como você pensa que o Chê pensava, que devemos desejar acabar com a pobreza de todos, pois Cristo Jesus nos disse: “Sempre tereis pobres entre vós” (Jo. XII, 8).
Nem o primeiro mandamento manda querer que sempre se procure acabar com a pobreza de alguém. Depende. Se acabar com a pobreza de alguém vai permitir que ela mais facilmente perca a sua alma, que ela perca o Bem Absoluto então não se deve querer a riqueza para essa pessoa.
Aliás, se fosse sempre justificável – essa palavra foi usada por você em sua pergunta — acabar com a pobreza, então seria lícito o roubo, que permite a um ladrão acabar com o seu “mal” (a pobreza) e ficar rico às custas da riqueza de outros. É aliás o que fazia Chê Guevara e o que faz o pessoal do MST. É o que pretende fazer a Revolução: justificar o crime.
E o primeiro mandamento condena o crime.
Creio que você julgue que estou tentando– em primeiro lugar — convencê-lo, quando viso, antes de tudo justificar o julgamento que você me pediu.
Terei culpa que minha justificação seja … convincente?

Visto que a vida e a riqueza não são senão bens relativos, que não é justo arvorar idolatricamente no lugar do Bem Absoluto, Deus, passo, então, agora, à segunda ponderação que enumerei acima: o que é a justiça exigida pelo primeiro mandamento.
Já os velhos romanos diziam que a justiça consiste em dar a cada um aquilo que é seu.
São Tomás repete essa definição.
E você aceita essa definição, pois que exige que se dê aos pobres a riqueza que — você o afirma como Marx — lhes foi tirada pelos “exploradores”.
Ora, se a justiça manda dar a cada um aquilo que é seu, aquilo a que a pessoa tem direito como seu, a própria definição de justiça implica da afirmação do direito de propriedade. Por isso, foi o Deus de Justiça que nos deu os mandamentos que mandou no sétimo mandamento “Não furtarás” (Ex XX, 15). E ainda : “Não cobiçarás a casa de teu próximo… Nem coisa alguma que lhe pertence” (Ex. XX, 17).
Não creio que você, aceitando o primeiro mandamento , recuse os demais.
A justiça de Deus nos manda amá-Lo sobre todas as coisas, e, para amá-Lo, devemos ser justos com nosso próximo, não roubando a sua propriedade, nem cobiçando o que é dele.
Chê Guevara fez o oposto disso. Logo pecou contra Deus e contra a justiça.
E ele fez pior ao pretender que era em nome da justiça e por amor aos pobres que ele tirava o que era dos outros com violência e morte.
Logo ele mascarou o seu crime com a piedade. Logo, além de criminoso, ele foi um hipócrita. E não se ofenda com o que digo, pois foi você quem me pediu o meu julgamento sobre se é possível justificar a revolução pelo primeiro mandamento da Lei de Deus. Só raciocinei sobre esse problema, que você me colocou.
Não é pois, justificável por uma falsa compreensão do amor e da justiça violar o direito alheio, fazendo Revolução.

E aqui passo rapidamente para a terceira ponderação que anunciei acima: se é justificável buscar o bem da justiça usando meios injustos.
É claro que a resposta é não.
Um fim bom não permite usar meios maus. O fim bom não justifica usar meios pecaminosos.

Além disso, você mesmo confessa que Chê Guevara sabia que não acabaria com a pobreza. Ele confessava que queria dar aos pobres a ilusão do progresso.
Foi você quem escreveu que Chê Guevara admitiu:

“Não nego que haja pobreza em Cuba, mas [pelo menos] os camponeses de lá têm uma ilusão de progresso, enquanto o boliviano vive sem esperança. Assim como nasce, ele morre, sem jamais ver melhorias em sua condição humana.” (MANGUEL, Alberto. No bosque do espelho: Ensaios sobre as palavras e o mundo. Tradução de Pedro Maia Soares. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, p. 78-79).

Mas então meu caro, Chê admitia que enganava os pobres, permitindo-lhes riqueza — pelo roubo — mas sabendo que os estava iludindo !
E com a idéia de “progresso”!
Meu caro, iludir os outros é de acordo com a Justiça ?
Claro que não.
Iludir é mentir. Iludir é enganar.
E você, então seguindo Chê Guevara, e em espanhol ! — “hasta la muerte!–admite que quer seguir uma ilusão, uma mentira.
E quereria você me convencer que é certo ser iludido ? E por essa ilusão, você crê ser justo, usar armas e matar a outros?
Meu caro, você é um iludido.
Quer duas provas dessa ilusão?

Primeira: você repete slogans da mídia que canoniza como santos certos vultos que de santos nunca tiveram nada.
“Grandes homens de Deus transformaram as coisas se opondo com firmeza a uma ordem social injusta: Lutero, Calvino, Knox, Martin Luther King Jr., Bonhoeffer, Desmond Tutu, Nelson Mandela. Afinal, o “Magnificat” (Lucas 1. 46-55)
Que invertida ladainha de todos o santos da imprensa você compôs aí. Só me espanta que você tenha omitido John Kennedy , que a mídia capitalista jamais omite.

Segunda prova de sua ilusão: você nem percebe que as palavras finais de sua carta calham perfeitamente para você mesmo:
“Os crentes geralmente defendem posições sem se aperceberem dos seus entornos. Não notam que questões e que condicionamentos os cercam. Não percebem que tantas vezes pensam estar afirmando verdades bíblicas, sem se darem conta que apenas reproduzem discursos ideológicos de manutenção do poder por seus donos. Não percebem o absurdo que é, em nome da defesa da submissão, defender a injustiça, a opressão, a morte e o mal, que se fortalecem quando assumimos a fala daqueles que exercem seus podres poderes, enquanto a nossa gente morre de fome, de raiva ou de sede. Defendem interesses que desconhecem, crendo na sua relevância bíblico-teólogica, assumindo compromissos contrários ao seu próprio povo, defendendo, direta ou indiretamente, a morte, a tortura, a dor, defendendo aqueles que humilham, exploram, matam, invadem, torturam e ensinam a torturar”. Foi assim nos anos 60 no nosso meio, é assim ainda hoje, porque o nosso senso crítico não se desenvolveu ao ponto de podermos notar que tipos de discurso obliteram ainda uma leitura coerente e relevante da Bíblia. E, assim, em vez de lutar por justiça e pela verdade, em vez de lutar contra o pecado e contra as estruturas de morte, preferimos assumir a submissão (que dizem necessária) aos discursos de destruição, de opressão e de morte”.

Meu caro, você cai inteiramente nessa descrição, pois defende o marxismo que só produziu crimes, miséria, injustiça e fome socialista . E o defende citando o Evangelho.
Pobre caríssimo!…
Hasta la Vida!
Sim, “hasta la Vida”, que só existe verdadeiramente in Corde Jesu, semper,

Orlando Fedeli

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