Covadonga, Guadalupe e Fátima: uma tríade espetacular

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Marcelo Andrade

COVADONGA, GUADALUPE E FÁTIMA: UMA TRÍADE ESPETACULAR

 

Havia três Estados na sociedade medieval: o Clero (primeiro), a Nobreza (segundo) e o Povo (terceiro), sendo que este era formado pela Burguesia, pelos Camponeses e pelos Artesãos. Essa é a estrutura natural da sociedade humana, detestada pelos comunistas e liberais e que também houve na Grécia antiga e em outros locais. Assim, por exemplo, entre os índios havia os caciques, os pajés e os indígenas trabalhadores.

Nos três Estados, portanto, havia:

  • a) produtores de bens (camponeses e artesãos) e encarregados de fazer circular os bens por meio do comércio (comerciantes);
  • b) militares que guardavam o direito aos bens pelo emprego da força militar (guerreiros ou nobres);
  • c) religiosos que deviam controlar o uso da força material, para evitar abusos.

Os três Estados medievais eram unidos pela mesma fé, e os nobres tinham por finalidade imediata a promoção do bem comum e por alvo mediato, a salvação das almas. O clero também promovia o bem comum e tinha por finalidade precípua a salvação das almas.

Como concepção de sociedade não havia lutas de classes e havia saudável desigualdade social tanto referente ao dinheiro, quanto ao “status social”. Os liberais são contra este último e os comunistas são contra os dois.

Pois bem, o Reino Visigótico (situado na Península Ibérica), católico, foi quase totalmente destruído no começo do séc. VIII. Mouros sedentos de sangue e de poder devastaram terras e impuseram terror e massacres em toda a península Ibérica. Mártires exsurgiram.

Restou, como resistência católica, apenas um minúsculo território no norte do moribundo reino, numa região montanhosa das Astúrias. Era como um grão de mostarda. Neste diminuto local, havia uma gruta com uma imagem de Nossa Senhora.

Era Covadonga.

 

“con tu nombre en los labios por ti lucharon.
con tu amor en las almas, por ti vencieron.”

(parte final do hino de Covadonga)

 

Nesse momento interessava a vitória militar e, no caso, a batalha de Covadonga, de 722, deu origem à guerra mais longeva da história, a da Reconquista, que durou até 1492. Nessa batalha de Covadonga, os católicos venceram graças a uma intervenção sobrenatural da Mãe de Deus, como foi passada pela tradição.

Então, a vitória atribuída à Nossa Senhora se refere ao Segundo Estado, os nobres, os senhores das guerras.

Séculos depois de Covadonga, os ibéricos se lançaram no mar e promoveram a fé para locais tão distantes como Peru e Japão.

No México, os espanhóis derrubaram os ídolos dos astecas e entronizaram Nossa Senhora. E, após a conquista militar, veio a conquista espiritual.

Em Guadalupe (séc. XVI), no México, a própria Mãe de Deus apareceu e com isso promoveu a conversão de muitos nativos, expandindo a fé, a esperança e a caridade.

Logo, a aparição de Guadalupe se refere ao Primeiro Estado, o clero.

Séculos depois, Nossa Senhora se apresentou no miserável século XX, mostrando uma série de desgraças que iam acontecer, nas espetaculares aparições de Fátima (Portugal), talvez as mais impressionantes de toda a História. Aqui, Ela apareceu para pastores.

Portanto, essa aparição se refere ao Terceiro Estado.

Nessas aparições além de anunciar guerras e erros, segundo uma carta do então cardeal Pacelli, está escrito:

“Essa obstinação de Nossa Senhora diante do perigo que ameaça a Igreja, é um aviso divino contra o suicídio que representaria a alteração da fé, em sua liturgia, sua teologia e sua alma”[1].

A nobreza já tinha caído ou restava totalmente corrompida, a fé ia sentir forte abalo após o Concílio Vaticano II, logo, Nossa Senhora se apoiou no Terceiro Estado.

Essa Tríade se relaciona com nações. Em Covadonga, após o aniquilamento da nação visigótica, por via militar, surgiram duas outras nações: Portugal e Espanha. Guadalupe mostra o fim de uma nação satânica (Asteca), por via religiosa, e o surgimento de outra católica, o México. Além de simbolizar todo um projeto colonizador e apostólico ibérico.

Em Fátima, foi dito que “nações iam ser aniquiladas”.

Ora, nação não é um termo sinônimo de país ou de Estado.

Nação se refere a valores culturais e religiosos de um povo. Então, destruir uma nação não significa somente eliminação física, mas sim eliminação de valores culturais e religiosos[2].

Ora, o que se vê no mundo todo é a destruição dos valores culturais e religiosos das nações em troca de hábitos ditos “globalistas” ou igualitários, todos contrários aos valores católicos tradicionais. Ou seja, de certa forma, nações estão sendo aniquiladas.

Porém, em Fátima, Nossa Senhora prometeu vitória futura, após muitas desgraças, e disse que em Portugal ia permanecer o “dogma da fé”, que é o elemento principal de uma nação.

Talvez uma fé do tamanho de um grão de mostarda, como foi em Covadonga.

É o que basta.

Há de voltar uma nova Reconquista, de uma forma que não conhecemos. Novas nações hão de surgir.

Vimos diante disso, que foi uma aula de História que Nossa Senhora deu, de forma espetacular.

Nossa Senhora de Covadonga, de Guadalupe e de Fátima, rogai por nós.

Marcelo Andrade, 20 de fevereiro de 2022.

[1] https://floscarmeliestudos.com.br/eis-o-terceiro-segredo-de-fatima/

[2] Raciocínio do amigo Eduardo Martins.

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