638- Virgem Maria, Mãe de Deus (4 de 6)

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Orlando Fedeli

Virgem Maria, Mãe de Deus

 

  • Localização: Belo Horizonte – MG

 

Passemos agora a refutar suas heresias, blasfêmias e insultos contra Nossa Senhora, a Mãe de Deus.

1ª Heresia dos fariseus da Lagoinha: Nossa Senhora não é Mãe de Deus.

Escreve-me Saul, transportado em furor de ódio:

“Apesar de Maria ter sido colocada nessa posição, ela não é a mãe de Deus, porque Deus sempre existiu”.

E justifica essa heresia com uma mentira histórica e uma falsidade doutrinária:

“Na mesma cidade de Éfeso foi realizado no ano de 431, que certamente é do conhecido do caro Professor Orlando, e passa a ser dos caríssimos leitores do Site Montfort*, um Concílio em que foi decretada a posição de Maria como “Mãe de Deus”. A partir dessa declaração: Maria, “mãe de Deus” é que começou o desvio da valorização de Maria e de sua importância para o cristianismo“

Essa sua afirmação é completamente falsa. Mais falsa do que o seu “caro” e os seus “caríssimos” esparramados por sua carta em meio a ofensas e blasfêmias.

Em primeiro lugar, está dito inúmeras vezes no Evangelho que a Virgem Maria foi a mãe de Jesus Cristo. Por isso, ela é a Mãe do Senhor, isso é, de Deus encarnado.

Você, Saul, que diz que só crê na Bíblia e garante que só aceita o que está escrito lá; você, que pensa que sabe ler, você então nunca leu o que está escrito no Evangelho de São Lucas?

És corajoso?
Leia, Saul, leia o que está escrito no Evangelho e que você nega:

“Donde a mim esta dita de que a MÃE DE MEU SENHOR venha ter comigo?” (Luc. I, 43).

E “Mãe de meu Senhor” quer dizer Mãe de Deus.

Entendeu, ó cabeçudo Saul? Compreendeu que você, ao dizer que Maria “não é Mãe de Deus, porque Deus sempre existiu”, ao mesmo tempo que diz uma tolice, afirma algo contra o que está expressamente no Evangelho?
Então você mente, quando diz que “Como a Igreja Primitiva, nós os EVANGÉLICOS, temos a mesma e única regra de fé, A BÍBLIA e confiamos no que ela diz.“
É falso. Você nega o que diz o evangelho de São Lucas sobre Maria “Mãe do Senhor” (Luc. I, 43).

Inúmeras vezes aparece no Evangelho que Maria é Mãe de Jesus. Ora como Jesus Cristo é Deus, Maria necessariamente é Mãe de Deus.

Evidentemente, sendo Deus eterno, é claro que Nossa Senhora não pode ter gerado Deus na eternidade. Maria não é mãe do Verbo de Deus quanto à sua origem divina, procedente e gerado pelo Pai desde toda eternidade. Ela é Mãe do Filho de Deus encarnado, no tempo; é Mãe do Filho de Deus feito homem.

Cristo tinha duas naturezas – como confessa até Saul em meio a seu furor – mas tinha uma só pessoa, a do Filho de Deus. Dizer que a Virgem Maria foi só a Mãe de Jesus, mas não a Mãe de Deus, é atribuir duas pessoas a Cristo.

Sua mãe, ó Saul tão cheio de ódio, sua mãe gerou apenas o seu corpo, e não sua alma. Mas ela é mãe de Saul inteiro. Se alguém lhe dissesse que sua mãe, por não ter gerado sua alma, criada por Deus, não é mãe de Saul, estaria dizendo uma besteira, porque se ela é mãe da pessoa de Saul, ela é mãe de Saul todo.

Do mesmo modo Maria, tendo sido Mãe de Jesus Cristo, cuja pessoa é a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, é Mãe de Deus. Por isso, os santos da Igreja sempre perceberam que quem negava a Maternidade divina de Maria, estava, no fundo, querendo negar a divindade de Cristo.

Depois de lhe provar que no Evangelho está escrito que Maria foi a Mãe do Senhor, seria desnecessário provar que antes do Concílio de Éfeso se acreditava na Maternidade divina de Maria Santíssima. Mas, como o senhor é o erudito e sábio “pastor” de Lagoinha, que lê mas nunca entende, vou lhe dar provas de seu erro histórico.

Também não é verdade que antes do Concílio de Éfeso não se dava a Nossa Senhora o título de Mãe de Deus. Quando o senhor diz isso, só revela a sua grande ignorância religiosa e histórica. Veja, por exemplo, algumas provas de que antes do Concílio de Éfeso (431) se dava a Maria Virgem o título glorioso de Mãe de Deus, e que só os hereges daqueles tempos recusavam. Desgraçadamente sempre houve, no mundo, Lagoinhas hereticamente infectas, e sempre houve homens com o espírito furioso de Saul…
Importa que haja Lagoinhas, mas ái do mundo por causa das Lagoinhas.

Santo Inácio de Antioquia, que conheceu São João e São Paulo, e que morreu em 110, escreveu:
“A verdade é que o nosso Deus, Jesus, o Ungido, foi concebido de Maria segundo a economia divina; nasceu da estirpe de Daví, mas também do Espírito Santo” (Santo Inácio de Antioquia, Carta aos efésios, PG. 644 ss).

Santo Irineu, que morreu em 202, e que foi discípulo de São Policarpo, bispo de Esmirna, o qual foi discípulo de São João Evangelista, escreveu sobre a Virgem Maria:
“A Virgem Maria… sendo obediente à sua palavra, recebeu do anjo a boa nova de que ela daria à luz Deus”.

Santo Efrém que viveu na Síria e morreu no ano 373, (antes do Concílio de Éfeso) escreveu : “A obra prima da Sabedoria de Deus tornou-se a Mãe de Deus“.

Santo Alexandre, morto em 328 – você percebe que é antes de 431, data do Concílio de Éfeso, percebe, não é Saul, ou sua raiva e ódio o cegam a ponto de não saber fazer contas? – Santo Alexandre, Bispo de Alexandria, escreveu que “Jesus Cristo .. teve um corpo gerado, não em aparência, mas verdadeiramente, derivado da Mãe de Deus”.

Santo Atanásio (U386), que foi secretário e sucessor de Santo Alexandre na diocese de Alexandria, afirmou que “o Verbo gerado pelo Pai, nas alturas, de modo inefável, inexplicável, incompreensivelmente e eternamente, foi Ele que nasceu no tempo aqui em baixo, da Virgem Maria, a Mãe de Deus”. Em seu livro sobre A encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo, Santo Atanásio usa oito vezes a palavra téotokos – Mãe de Deus – para designar a Virgem Maria.

São Cirilo (U386) ( eparou que ainda é antes do Concílio de Éfeso?) Bispo de Jerusalém, referia-se à Virgem Maria Mãe de Deus”.

São Gregório de Nazianzeno (U382), Bispo de Constantinopla, afirmou fortemente que “Se alguém não concorda que a Santa Virgem Maria é a Mãe de Deus, ele está em oposição à Divindade”.

São Gregório de Nyssa (U371) (antes de Éfeso) proclamou a virgindade de Maria, referindo-se a ela como “Mãe de Deus”.

Santo Ambrósio (340-397) – portanto, ainda antes do Concílio de Éfeso; compreendeu, ó teimoso Saul?), Bispo de Milão, em seu livro De Virginitate, (II, 65 in PL 16, 282C), empregou a expressão Mãe de Deus (Mater Dei).

Santo Agostinho (354-430), o famoso Bispo de Hipona, escreveu uma página belíssima sobre Maria, mãe de Deus:

“A verdade nasceu da terra e a Justiça inclinou-se do céu” (Sl LXXXIV,12).
“Cristo nasceu da mulher. A Verdade nasceu da terra. O Filho de Deus procedeu da carne.
“E o que é a Verdade? – O Filho de Deus!”
“E o que é a terra? – A carne!”
“Procura de onde nasceu Cristo e verás que a Verdade nasceu da terra. Mas a verdade que nasceu da terra existia antes da terra e por ela foram feitos o céu e a terra…
“Mas para que a Justiça olhasse do céu, isto é, para que os homens se justificassem pela graça divina, a Verdade nasceu da Virgem Maria.” (Santo Agostinho, Comentário ao salmo LXXXIV,13).

Santo Epifânio (U431; ainda antes de Éfeso, entendeu, ó teimoso Saul?) e que era Bispo de Salamina, escreveu que “O santo salvador que desceu a nós desde os Céus… uniu a humanidade com a Divindade… encarnado-se entre nós, não em aparência, mas em verdade… de Maria, a Mãe de Deus”.

São Cirilo de Alexandria (U444) escreveu: ” Tenho ficado espantado que alguns, ultimamente, puseram em dúvida se a Virgem Maria poderia ser chamada ou não a Mãe de Deus. Porque, se Nosso Senhor Jesus Cristo é Deus, como a Virgem Maria, que O gerou, não seria a Mãe de Deus?”.

Até parece que São Cirilo escreveu para você, hein, Saul?

E São Cirilo de Alexandria fez, no Concílio de Éfeso, um discurso admirável, resumindo o que se acreditava sobre a Virgem Maria até então:

“Salve, Ó Maria, Mãe de Deus ! Vós enclausurastes em vosso sagrado seio o Deus Único que é incontenível. Ó Maria, Mãe de Deus ! Com os pastores nós cantamos o louvor de Deus, e com os anjos o canto de agradecimento: Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade. Ó Maria, Mãe de Deus! Por meio de ti nos veio o Conquistador e Vencedor triunfante do inferno”.

Que tal, ó Saul da Lagoinha? Veja se ensina seus consensuais a rezar como rezava São Cirilo, nos tempos anteriores ao Concílio de Éfeso.

Está satisfeito?

Compreendeu como você mentiu quando disse que antes do Concílio de Éfeso não se dizia que Maria era a Mãe de Deus?

E, para completar, embora o testemunho de demônios não tenha valor, vou citar o que pensavam dois deles, pais de sua heresia: Lutero e Calvino.

Pois até Lutero, ao comentar o Magnificat, escreveu:

“Que são todas as mulheres, servos, senhores, príncipes, reis, monarcas da Terra, comparados com a Virgem Maria, que, nascida de descendência real (descendente do Rei Daví) é, além disso, mãe de Deus, a mulher mais sublime da Terra? Ela é na Cristandade inteira, o mais nobre tesouro depois de Cristo, a quem nunca poderemos exaltar bastante (nunca poderemos exaltar o suficiente), a mais nobre imperatriz e rainha, exaltada e bendita acima de toda a nobreza, com sabedoria e santidade” (Martinho Lutero, Comentário ao Magnificat, apud M. Basilea Schlink, – autora protestante – in revista Jesus Vive e é o Senhor).

E o azedo e luciferino Calvino escreveu: “Não podemos reconhecer as bençãos que nos trouxe Jesus sem reconhecer ao mesmo tempo quão imensamente Deus honrou e enriqueceu Maria, ao escolhê-la para Mãe de Deus” (João Calvino, Sur L’Harmon. Évangélique”20).

Pois então, se até seus pais na heresia reconheceram que a sempre Virgem Maria é a Mãe de Deus, de que valem as blasfêmias anti evangélicas saídas do consenso da Lagoinha?

 

 

*O professor Orlando Fedeli foi presidente da Associação cultural Montfort de 1983 a 2010.

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